Economistas indicam que a elevada taxa Selic, somada aos altos spreads bancários praticados no Brasil, tem sido um fator crucial para o aumento do endividamento das famílias. Esse cenário impulsionou o governo federal a lançar, recentemente, o programa Novo Desenrola. O spread bancário, que representa a diferença entre os juros pagos pelos bancos e os cobrados dos consumidores, atingiu 34,6 pontos percentuais (p.p.) em março. Para contextualizar, o Banco Mundial calcula uma média global de spread bancário em torno de 6 p.p.
Impacto dos Juros e a Realidade Econômica
Maria Lourdes Mollo, professora de economia da Universidade de Brasília (UnB), explica que, quanto maior a taxa Selic definida pelo Banco Central (BC), mais altos são os juros cobrados pelos bancos, dificultando o funcionamento da economia e aumentando o endividamento das pessoas. A professora também aponta a precarização dos empregos no Brasil, influenciada pela reforma trabalhista, como um agravante, levando famílias a se endividarem para cobrir despesas básicas. Segundo ela, o Novo Desenrola tem potencial para liberar orçamento e estimular a economia.
O Brasil figura como o segundo país com a maior taxa básica de juros reais do mundo, após a Rússia, registrando 9,3% descontada a inflação, conforme o site Moneyou. Embora o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC tenha reduzido a Selic em 0,25 p.p., para 14,5%, o patamar ainda é considerado elevado. Enquanto o BC defende a taxa para controlar a inflação, críticos a questionam por ser excessivamente alta.
A Ascensão do Endividamento Familiar
Pelo quarto mês consecutivo, o percentual de famílias com dívidas no Brasil alcançou 80% em abril, marcando uma nova máxima histórica, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento destaca que as famílias com renda de até três salários mínimos são as mais impactadas, com 83,6% endividadas e 38,2% com contas em atraso.
Brasil: Líder Global em Spread Bancário
Juliane Furno, professora de economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), atribui o endividamento das famílias às 'altíssimas' taxas do spread bancário no Brasil, que em comparações recentes, aparece no topo do ranking mundial, como dados de 2024 da World Open Data indicam. Enquanto os bancos justificam esses spreads pela alta inadimplência, Furno argumenta que a inadimplência, por sua vez, é intensificada pelos juros elevados.
Dados do BC de março revelam que os bancos cobram uma taxa de juros média de 61% ao ano de pessoas físicas, contrastando com 24% para empresas. Maria Mello de Malta, professora da UFRJ, explica que a Selic alta eleva todas as outras taxas, criando uma 'bola de neve' para trabalhadores que se veem forçados a buscar novas dívidas para cobrir as anteriores. Os juros do rotativo do cartão de crédito, que podem ultrapassar 400% ao ano, exemplificam as taxas mais altas praticadas no país.
O Programa Novo Desenrola Brasil
Diante desse cenário desafiador, o governo federal lançou o Novo Desenrola Brasil. O programa visa oferecer suporte a famílias, estudantes e pequenos empreendedores para renegociar suas dívidas, regularizar seu nome e restabelecer o acesso ao crédito, buscando aliviar a pressão financeira e fomentar a recuperação econômica.









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