O economista Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, conhecido como Chico Lopes, faleceu nesta sexta-feira (8), aos 78 anos, no Rio de Janeiro, onde estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, no bairro de Botafogo. A família confirmou a morte, mas a unidade de saúde não informou a causa.
Em comunicado, a família expressou "profundo pesar", destacando a "trajetória marcante" de Lopes e sua posição como um dos "nomes mais respeitados do pensamento econômico brasileiro". A nota ressaltou sua "atuação relevante na construção e no debate da política econômica nacional", deixando "contribuição importante para o desenvolvimento do país" por sua "inteligência, firmeza intelectual e dedicação ao Brasil ao longo de décadas de trabalho".
Carreira e Atuação no Banco Central
Doutor em economia pela Universidade de Harvard, com mestrado pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e graduação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Chico Lopes foi professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio) e na Universidade de Brasília (UnB), além de fundador da empresa de consultoria Macrométrica. Sua passagem pelo Ministério da Fazenda em 1987 antecedeu sua nomeação como diretor do Banco Central entre 1995 e 1998, culminando na presidência interina em janeiro e fevereiro de 1999, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, período marcado por uma crise cambial. Ele foi sucedido por Armínio Fraga em março daquele ano.
Durante sua breve liderança no BC, Lopes supervisionou a transição do regime de câmbio administrado para o flutuante no Brasil. Esse período também coincidiu com uma controvérsia envolvendo uma operação de socorro aos bancos Marka e FonteCidam, afetados pela cotação do dólar, que gerou prejuízo ao Banco Central. Lopes sempre defendeu a legalidade da ação, visando evitar a quebra das instituições e uma crise financeira mais ampla, tema que foi objeto de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
O Legado do Comitê de Política Monetária (Copom)
Em nota de pesar, o Banco Central reconheceu que Francisco Lopes dedicou décadas ao "enfrentamento do maior desafio macroeconômico de seu tempo: a inflação crônica brasileira dos anos 1980 e 1990”. A instituição sublinhou a criação e institucionalização do Comitê de Política Monetária (Copom) como sua "contribuição mais duradoura", conferindo previsibilidade, transparência e rigor técnico às decisões sobre a taxa básica de juros (Selic).
O BC afirmou que Lopes "marcou a história da estabilização econômica brasileira", deixando um "legado de inteligência, ousadia intelectual e dedicação ao país". Ele participou ativamente das discussões sobre planos anti-inflacionários como o Cruzado e o Bresser, sendo fundamental na consolidação do Plano Real. Sobre o Copom, Lopes costumava dizer: "Acredito que a criação do Copom foi fundamental para a consolidação do Real, para que fosse estabelecida, de fato, uma política monetária. Eu dizia que era preciso ter um ritual e que a reunião para definir a taxa de juros deveria ser gravada".
Despedida e Família
O velório de Chico Lopes será realizado neste sábado (9) no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. A cerimônia de despedida está programada para as 13h, e a cremação para as 16h. Chico Lopes deixa a esposa, Ciça Pugliese, com quem foi casado por mais de 40 anos, além de três filhos e sete netos.









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