O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um encontro de mulheres quilombolas no Distrito Federal e realizou a entrega de 18 novos títulos de domínio para nove comunidades, distribuídas em seis estados brasileiros. O evento, organizado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombola (Conaq), reuniu cerca de 500 mulheres para discutir temas como proteção territorial e justiça climática.
Avanço na Regularização Fundiária
Os territórios quilombolas são espaços ocupados por comunidades negras, descendentes de pessoas escravizadas no Brasil. A entrega desses títulos representa a conclusão de um extenso processo de regularização, abrangendo 11,6 mil hectares e beneficiando 1.780 famílias. Notícias relacionadas indicam que o governo federal também destinou 1,9 mil imóveis abandonados, reforçando o foco em políticas de habitação e uso da terra.
Discurso Presidencial sobre Desigualdade
Em seu discurso, o presidente Lula relembrou a construção histórica de um Brasil que, por séculos, negligenciou os mais vulneráveis. Ele afirmou que o país "tratou o povo negro, o povo pobre, o povo trabalhador, o povo da periferia como se nós fôssemos uma população inexistente". Lula também enfatizou que o fim da escravidão não trouxe melhorias diretas para o povo negro, que foi "largado na rua, sem emprego, sem saúde, sem educação, sem-terra, sem nada", sendo culpado pelas mazelas sociais. Ele concluiu que "recuperar a história da igualdade [racial] é uma luta gigante".
Balanço da Gestão e Apoio ao Desenvolvimento
Com as recentes entregas, a atual gestão de Lula alcançou a marca de 74 títulos quilombolas emitidos, totalizando 93 mil hectares e atendendo 8.317 famílias, conforme informado pela ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiavelli. Esse volume corresponde a aproximadamente 34% de todos os títulos já concedidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na história do país.
Crédito e Moradia para Comunidades
A ministra destacou que a titulação é acompanhada de iniciativas de desenvolvimento, como a liberação de créditos do Incra para fomentar a produção, apoiar mulheres e permitir a construção e reforma de casas. Foi anunciado um repasse adicional de R$ 19 milhões em crédito habitação para 200 famílias da comunidade Kalunga, uma das maiores comunidades quilombolas, localizada entre Goiás e Tocantins.
Novos Avanços na Regularização Fundiária
Além das entregas de títulos, o governo federal avançou em etapas prévias de regularização. Foram emitidos quatro decretos de interesse social para 333 famílias em cerca de 897 hectares, contemplando os territórios Graciosa (BA), Tapinoã-Prodígio (RJ), Maria Joaquina (RJ) e Morro do Boi (SC). Esses processos somam um valor estimado de R$ 14,5 milhões para desapropriação, a etapa que precede a emissão dos títulos.
O Incra também anunciou a publicação de uma portaria de reconhecimento para o território Porto Leocádio (GO), beneficiando 20 famílias em 1,5 mil hectares. Adicionalmente, cinco novos Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs) foram divulgados para os territórios Brejão dos Aipins (PI), Baía Formosa (RJ), Sapatu (SP), Sítio Grossos (RN) e Engenho da Cruz (BA), que juntos abrangem cerca de 800 famílias e aproximadamente 22 mil hectares. O RTID é um documento crucial que detalha a ocupação histórica e antropológica e define os marcos territoriais das áreas.
Significado da Titulação: Reparação Histórica
Maria Rosalina dos Santos, coordenadora executiva da Conaq, enfatizou que a titulação dos territórios quilombolas representa uma "reparação histórica". Ela salientou que mais de 300 anos de escravidão foram um crime que não se encerrou com a abolição, pois "a opressão continuou e continua discriminando, continuou e continua o apagamento".
Distribuição dos 18 Títulos Quilombolas Concedidos
Os 18 títulos concedidos foram distribuídos da seguinte forma:
– **Kalunga do Mimoso (Arraias e Paranã/TO)**: 4 títulos, 250 famílias, 4.211 hectares.
– **Kalunga (Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás/GO)**: 2 títulos, 888 famílias, 6.221 hectares.
– **Invernada dos Negros (Abdon Batista e Campos Novos/SC)**: 5 títulos, 84 famílias, 111 hectares.
– **Charco/Juçaral (São Vicente Férrer/MA)**: 3 títulos, 137 famílias, 690 hectares.
– **Mel da Pedreira (Macapá/AP)**: 1 título, 14 famílias, 127 hectares.
– **Nova Batalhinha (Bom Jesus da Lapa/BA)**: 1 título, 20 famílias, 67 hectares.
– **Mata de São Benedito (Itapecuru-Mirim/MA)**: 1 título.









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