O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou variação de 0,58% em maio, marcando uma desaceleração em relação aos meses anteriores. No entanto, o acumulado dos últimos 12 meses alcançou 4,72%, superando o limite superior da meta de tolerância estipulada pelo governo. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A inflação de maio superou a projeção do mercado financeiro, que estimava 0,48% para o mês, conforme o Boletim Focus do Banco Central. Para o fim de 2026, a previsão do mercado é de 5,11%.
Meta de Inflação e Limite de Tolerância
A meta oficial de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, resultando em um intervalo de 1,5% a 4,5%. Desde 2025, a avaliação da meta considera os 12 meses imediatamente anteriores. O teto é descumprido se o limite for ultrapassado por seis meses consecutivos. A última vez que o acumulado de 12 meses esteve fora desse limite foi em outubro de 2025, quando atingiu 4,68%.
Principais Componentes da Inflação de Maio
Impacto dos Alimentos e Bebidas
O grupo Alimentação e Bebidas foi o principal motor da inflação, com alta de 1,33%, contribuindo com 0,29 ponto percentual para o IPCA de maio, ou seja, metade do índice total do mês. Dentre os itens que mais se destacaram estão a batata-inglesa (+44,69%), o tomate (+20,62%), carnes (+1,39%) e cebola (+16,80%).
Maio marcou o terceiro mês consecutivo com a inflação de alimentos acima de 1%, e no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o grupo já registra alta de 4,81%. A taxa de 1,33% para maio de 2026 é a maior para o mês desde 2015.
Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, atribui o aumento dos alimentos à menor oferta de alguns produtos, aos custos do frete rodoviário e à alta dos fertilizantes, influenciada pelo conflito no Oriente Médio. Se o grupo Alimentação e Bebidas fosse excluído do cálculo, a inflação de maio teria sido de 0,37%.
Aumento nos Custos de Habitação e Energia Elétrica
O grupo Habitação foi o segundo maior responsável pela pressão inflacionária, registrando alta de 1,22% e impacto de 0,18 ponto percentual. O fator preponderante foi o preço da energia elétrica residencial, que subiu 3,67%. A conta de luz representou o maior custo individual, contribuindo com 0,15 ponto percentual para o IPCA de maio.
A implementação da bandeira tarifária amarela, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos, foi a principal justificativa. Para junho, a bandeira amarela permanece em vigor. Além disso, reajustes contratuais na conta de luz foram observados em seis capitais: Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte.
Deflação nos Transportes e Combustíveis
Em contrapartida aos aumentos, o grupo Transportes foi o único a apresentar deflação, com recuo de 0,46% em maio, impulsionado pela queda nos preços dos combustíveis (-1,95%).
Entre os combustíveis, o etanol teve queda de 6,20%, o óleo diesel de 2,34%, e a gasolina de 1,46%. A gasolina, isoladamente, foi o produto que mais contribuiu para frear a inflação em maio, com impacto negativo de 0,08 ponto percentual. No entanto, o gás veicular (GNV) teve um movimento contrário, com alta de 5,81%.
Amplitude e Metodologia do IPCA
O índice de difusão do IPCA, que mede a abrangência dos aumentos de preços, indicou que 65% dos 377 produtos e serviços pesquisados apresentaram alta em maio.
O IBGE segmenta o IPCA em dois grandes grupos: serviços, cujos preços são mais sensíveis ao cenário econômico e à taxa Selic, e preços monitorados, que são geralmente controlados por contratos ou órgãos reguladores, incluindo os combustíveis. Em maio, o grupo de serviços registrou 0,40% (5,97% em 12 meses), enquanto os monitorados ficaram em 0,43% (5,85% em 12 meses).
O IPCA é o indicador oficial da inflação no Brasil, calculando o custo de vida para famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos, através da coleta de preços em dez regiões metropolitanas do país.









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