Uma pesquisa recente revelou que 71,7% dos gestores de escolas públicas enfrentam dificuldades significativas no diálogo e enfrentamento de violências como bullying, racismo e capacitismo. Este é o maior desafio identificado em um estudo conduzido pela Fundação Carlos Chagas (FCC) em parceria com o Ministério da Educação (MEC), que ouviu 136 gestores de 105 instituições de ensino. O levantamento visa subsidiar o novo Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, uma iniciativa federal a ser lançada em breve.
Análise do Cenário de Violência Escolar
O coordenador do estudo, Adriano Moro, do Departamento de Pesquisas Educacionais da FCC, destaca a complexidade de lidar com situações de violência, exigindo preparo, apoio e ações bem planejadas. Ele aponta a naturalização de comportamentos agressivos, onde adultos na escola veem conflitos como 'brincadeiras', subestimando sua gravidade e resultando em omissão. Moro também ressalta a influência de contextos de violência fora dos muros escolares e as dificuldades em envolver famílias e a comunidade, sobrecarregando as instituições de ensino.
A Nomenclatura da Violência: Além do Bullying
Outra questão relevante, segundo Moro, é o uso genérico do termo 'bullying'. Embora seja uma forma grave de violência física ou psicológica repetida, causando danos significativos, sua aplicação indiscriminada pode ocultar problemas específicos como racismo, capacitismo, xenofobia ou violência de gênero. O pesquisador enfatiza que um clima escolar positivo, pautado na confiança, respeito e escuta, é crucial para identificar corretamente as violências e promover uma atuação mais preventiva, intencional e colaborativa.
Outras Constatações da Pesquisa
Além do enfrentamento direto à violência, a pesquisa revelou outros desafios importantes na gestão do clima escolar. Dentre eles, 67,9% dos gestores relatam obstáculos na aproximação entre escola, famílias e comunidade; 64,1% indicam entraves na construção de bons relacionamentos entre estudantes; 60,3% mencionam dificuldades para desenvolver o sentimento de pertencimento dos alunos e na relação estudantes-professores; e 49% apontam desafios na promoção do sentimento de segurança entre os estudantes.
Organização Escolar e o Impacto na Aprendizagem
O levantamento também investigou a organização das unidades de ensino para um ambiente positivo. Constatou-se que mais da metade das escolas (54,8%) nunca realizou um diagnóstico estruturado do clima escolar, etapa fundamental para orientar políticas de convivência e aprendizagem. Embora 67,6% possuam equipe responsável por ações de melhoria do clima, nas demais, a responsabilidade recai diretamente sobre a gestão. Adriano Moro alerta para a sobrecarga dos profissionais, que frequentemente atuam de forma reativa, focados em problemas imediatos, em vez de preveni-los de forma planejada.
Por fim, o estudo reforça a “muito forte” relação entre um clima escolar positivo e o desempenho pedagógico, influenciando diretamente o bem-estar e o processo de ensino-aprendizagem. A criação de um ambiente onde os estudantes se sentem acolhidos, respeitados e não têm receio de errar é fundamental para a qualidade da aprendizagem e o desenvolvimento pleno de suas habilidades.










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