Com a marcante imagem de uma urna gigante na Avenida Paulista e a vivacidade de uma multidão, a 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo reuniu milhares de pessoas. O evento, que completa três décadas, adotou o tema “30 Anos Parada SP: A rua convoca, a urna confirma”, propondo uma reflexão crucial sobre a relevância do voto e da participação democrática na defesa dos direitos da comunidade LGBT+.
Legado e Lutas por Direitos
A primeira edição da Parada do Orgulho LGBT+ ocorreu em 1996, na Praça Roosevelt, antes de se consolidar na Avenida Paulista no ano seguinte. Desde então, o evento tem sido um palco fundamental para discussões sobre temas vitais, como o reconhecimento da união estável, o direito à identidade de gênero, a adoção por casais homoafetivos e a criminalização da LGBTfobia, atuando como um catalisador para avanços legislativos e sociais.
Matheus Emílio Pereira da Silva, diretor da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), destacou a importância histórica do evento: “Hoje é um marco para nós, pois todos os direitos que hoje temos para a população LGBT+ passaram aqui pela Avenida Paulista”.
Silva reforçou a influência da Parada ao longo dos anos, citando exemplos concretos: “Em 2005, tratamos sobre o direito à união estável e, uma década depois, isso foi reconhecido pelo STF. Já tratamos sobre a criminalização da LGBTfobia. Em 2006, trouxemos esse tema e, depois, o STF também veio a reconhecer isso, equiparando a questão da LGBTfobia ao crime de racismo. Falamos sobre direitos da população trans, direito à doação de sangue, direito à adoção. Todos esses foram temas que, antes de estarem nos tribunais, passaram pela Avenida Paulista. Isso mostra a importância da Parada de São Paulo nessas três décadas de lutas”.
Apesar das conquistas significativas, o diretor da Parada SP enfatiza que a jornada ainda não terminou. “A gente precisa ainda de um compromisso do nosso Legislativo para assegurar esses direitos na letra da lei – e não apenas com decisões judiciais como nós temos atualmente”, afirmou.
Por isso, o tema das eleições se faz presente este ano. “É importante a gente falar sobre isso para conscientizar a nossa população, em especial as pessoas LGBT+, para que elejam e para que votem em pessoas comprometidas com os direitos da população LGBT e com a sociedade como um todo, que não legislem para si só, mas sim para o povo”, concluiu Silva.
Desafios e Presença Institucional
A edição deste ano da Parada SP enfrentou desafios, apresentando uma estrutura ligeiramente menor devido à diminuição de patrocínios. Com uma redução de 60% na receita de patrocinadores, o evento contou com 14 trios elétricos, em comparação com os 17 do ano anterior e os 19 de 2023, percorrendo a Avenida Paulista e a Rua da Consolação até a Praça da República. A redução impactou tanto a organização do evento quanto as ações sociais e culturais promovidas pela APOLGBT-SP.
Apesar dos obstáculos, uma grande multidão compareceu desde cedo para acompanhar o evento, que teve início às 10h. A manifestação contou com a presença de diversos artistas, como Pabllo Vittar, Urias, Gloria Groove, Pepita, e também da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello.
Em entrevista à Agência Brasil, a ministra Janine Mello ressaltou a importância da participação governamental: “O Ministério dos Direitos Humanos tem marcado presença na Parada. A de São Paulo é a maior do mundo, então é uma alegria para a gente estar aqui. E neste ano o Ministério está com uma campanha, 'O Brasil é de Todas as Cores: Para Todas as Pessoas', e para a gente é importante lembrar e ressaltar junto à população brasileira sobre a necessidade da garantia dos direitos da população LGBT”.
A ministra detalhou as políticas federais para a comunidade LGBTQIA+: “A gente tem uma série de políticas voltadas para as diferentes dimensões da população LGBTQIA+. Temos desde políticas ligadas ao empoderamento e à inclusão produtiva, até políticas de acolhimento em momentos de vulnerabilidade. E enviamos recentemente ao Congresso Nacional a Política Nacional de Direitos LGBT, que vai pegar diferentes dimensões, inclusive sobre o enfrentamento da violência contra pessoas LGBTQIA+”.
A secretária Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, também esteve presente no evento, reforçando o engajamento do ministério em ações conjuntas para a garantia de direitos.









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