Os Ministérios da Defesa e das Cidades são as pastas mais impactadas pelo bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões no Orçamento de 2026. O governo federal divulgou o decreto detalhando os cortes por ministérios e órgãos na noite de sexta-feira, 29 de maio. Essa medida visa garantir o cumprimento das metas fiscais e evitar que os gastos públicos excedam os limites estabelecidos pelas regras de responsabilidade fiscal, após o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas elevar o bloqueio total para R$ 23,679 bilhões.
Detalhamento dos Cortes Orçamentários
A maior parte do bloqueio incide sobre despesas discricionárias, que não são obrigatórias, e recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Tais gastos incluem investimentos, obras, aquisição de equipamentos e o custeio da máquina pública, sendo administráveis pelo governo ao longo do ano.
Dos R$ 23,679 bilhões bloqueados, R$ 18,709 bilhões afetam o Poder Executivo, sendo R$ 9,963 bilhões de gastos discricionários e R$ 8,746 bilhões do PAC. Adicionalmente, R$ 4,97 bilhões recaem sobre emendas parlamentares.
Ministérios Mais Afetados
Os maiores cortes concentram-se em diversas pastas. O Ministério da Defesa registra um bloqueio de R$ 4,363 bilhões, seguido pelo Ministério das Cidades com R$ 3,32 bilhões. Outros ministérios afetados são Educação (R$ 1,605 bilhão), Transportes (R$ 1,5 bilhão), Fazenda (R$ 1,396 bilhão) e Saúde (R$ 1,002 bilhão). Isso implica uma redução no espaço orçamentário para a execução de projetos, contratos e investimentos dessas áreas até uma nova avaliação das contas públicas.
Áreas Preservadas
Três ministérios foram isentos dos bloqueios neste segundo bimestre: Justiça e Segurança Pública, Previdência Social e Trabalho e Emprego. A preservação dessas áreas sublinha a prioridade governamental em manter despesas ligadas à segurança pública, benefícios previdenciários e políticas de emprego. No caso da Previdência, o objetivo é garantir a redução da fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O Mecanismo do Faseamento de Empenho
Além dos bloqueios diretos, o governo utiliza o faseamento de empenho, um mecanismo que limita temporariamente a velocidade com que os órgãos podem assumir novos compromissos financeiros, sem cortar os recursos em definitivo. Essa medida atua como um controle de fluxo de caixa, evitando que o governo autorize gastos antes da confirmação das receitas, especialmente se a arrecadação estiver abaixo do esperado.
A restrição de empenho está projetada em R$ 59,866 bilhões até julho, diminuindo para R$ 27,148 bilhões até novembro e zerando em dezembro. Somado ao bloqueio de R$ 23,679 bilhões, a restrição totaliza R$ 83,545 bilhões até julho e R$ 50,827 bilhões até novembro.
Impacto nas Emendas Parlamentares
O bloqueio também atinge R$ 4,97 bilhões em emendas parlamentares de bancada, que são recursos designados por deputados e senadores para obras e projetos nos estados. A Lei Complementar 210/2024 será aplicada para regulamentar a execução dessas emendas e aumentar a transparência. A lei estabelece que as emendas serão bloqueadas na mesma proporção das demais despesas discricionárias para cumprir as metas fiscais, embora o Congresso possa definir prioridades de preservação ou corte dentro dos limites governamentais.
Próximos Passos e Monitoramento Contínuo
Os ministérios e órgãos federais têm até 8 de junho para informar quais programas e ações sofrerão bloqueios dentro dos limites estabelecidos. O Ministério do Planejamento e Orçamento anunciou que continuará monitorando as receitas e despesas ao longo do ano, podendo adotar novas medidas caso necessário para assegurar o equilíbrio das contas públicas e o cumprimento da meta fiscal de 2026.








/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/9/y/zJYjtiTBKpd5X59LEOMA/img-7041.jpg)









