O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, revelou nesta quarta-feira (8) que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o instruiu a agir com rigor técnico e sem artifícios no que tange ao Banco Master.
Galípolo detalhou, durante seu depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado, a orientação recebida: “Seja técnico, pois você tem toda autonomia para perseguir e investigar seja quem for, sem fazer pirotecnia. A orientação sempre foi esta.”
A Reunião no Planalto e a Tese de Perseguição
Galípolo confirmou aos parlamentares que, em dezembro de 2024, antes de assumir a presidência do BC, participou de uma reunião no Palácio do Planalto para discutir a situação do Banco Master, que já enfrentava “problemas de liquidez e dificuldades para continuar captando recursos com garantia do FGC”.
Além do banqueiro Daniel Vorcaro, a reunião contou com a presença de Augusto Lima, ex-sócio do Master e controlador do Banco Pleno; os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia); o economista Guido Mantega e o próprio presidente Lula.
Segundo Galípolo, “o tema [da conversa] seguia uma narrativa que estava bastante disseminada e que acho que foi predominante durante boa parte do ano [passado]”. Na ocasião, Vorcaro foi o principal orador, defendendo a tese de que o Master enfrentava resistência de outras instituições financeiras por ser um concorrente.
Os acionistas do Master, Vorcaro e Lima, “relatavam que estavam sendo perseguidos pelo mercado financeiro e que a dificuldade deles captarem [recursos] se devia ao fato de estarem gerando concorrência”. Galípolo minimizou essa tese, afirmando que algo não era “muito aderente, dado que o banco não tinha tamanho para isto [incomodar]”.
A Resposta de Lula e a Liquidação do Banco Master
Após ouvir os acionistas do Master, Lula se mostrou evasivo. “A resposta que o presidente deu foi mais ou menos assim: ‘Olha, este é o Galípolo. Ele vai assumir [o BC] daqui a um mês. Este é um tema que não cabe à Presidência da República. Cabe ao Banco Central, onde tenho certeza de que você vai ser tratado de maneira técnica'.
Galípolo assegurou que, após esse encontro, não retornou ao Palácio do Planalto para tratar do assunto e que nunca discutiu o tema com o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ou com o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Galípolo informou que, no dia do anúncio, o Master possuía em caixa apenas 10% do valor necessário para honrar os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) que venciam na mesma data.
O Modelo de Negócios e a Crise
Controlado por Vorcaro, o Master obteve crescimento acelerado ao oferecer CDBs com rentabilidade significativamente superior à média de mercado. Investigadores apontam que, para sustentar esse modelo, o banco assumiu riscos excessivos e estruturou operações que inflavam artificialmente seu balanço, enquanto sua liquidez real, o dinheiro disponível para ressarcir investidores, deteriorava-se progressivamente.










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