O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descreveu a reunião de três horas entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Washington como um encontro marcado por deferência e respeito mútuo. Os principais eixos da conversa incluíram a relação comercial bilateral, o combate ao crime organizado internacional e a exploração de minerais estratégicos, conforme Durigan em entrevista à TV Brasil.
Trajetórias Pessoais e Aumento da Admiração
O diálogo inicial teve um tom informal, abordando as trajetórias pessoais dos líderes. Trump demonstrou surpresa com relatos da infância de Lula, como ter comido pão pela primeira vez aos sete anos e a notável expansão da rede federal de universidades durante seus governos, apesar de não possuir diploma universitário.
Outro tópico abordado foi o período de prisão de Lula. Trump reagiu com espanto ao saber que o presidente brasileiro recusou alternativas jurídicas, como a prisão domiciliar, em busca de provar sua inocência integralmente. Segundo Durigan, ambos os presidentes se emocionaram ao recordar os quase dois anos de cárcere, com o ministro revelando uma impressão de que a admiração de Trump por Lula aumentou após o encontro.
Pautas Estratégicas da Reunião Bilateral
Debate Comercial e Relações Econômicas
A pauta econômica foi central, com o governo brasileiro contestando a narrativa de prejuízo comercial dos Estados Unidos. Durigan apontou um déficit comercial brasileiro com os EUA de US$ 30 bilhões em 2025 e argumentou que o Brasil adquire elevado volume de serviços, tecnologia e produtos americanos, beneficiando a economia norte-americana. O Brasil defendeu que não deveria sofrer medidas tarifárias semelhantes às impostas à China, dado o caráter favorável da relação comercial para os EUA.
Combate ao Crime Organizado Transnacional
A segurança pública e a luta contra o crime organizado transnacional também foram amplamente discutidas. Lula propôs expandir a cooperação para rastrear recursos financeiros de facções criminosas, especialmente operações de lavagem de dinheiro em paraísos fiscais como Delaware, nos Estados Unidos. O governo brasileiro também apresentou dados indicando que a maioria das armas ilegais apreendidas no Brasil tem origem norte-americana.
Desafios das Drogas Sintéticas
O avanço das drogas sintéticas, com fluxo dos Estados Unidos para o Brasil, integrou a pauta. Como resultado prático, foi acordada a integração entre a Receita Federal brasileira e a aduana americana para compartilhamento de inteligência e rastreamento financeiro, visando asfixiar as fontes de financiamento do crime organizado.
Exploração de Minerais Estratégicos
A discussão sobre minerais estratégicos, como nióbio, grafeno e terras raras, essenciais para a indústria tecnológica e transição energética, também esteve em foco. O governo brasileiro apresentou sua estratégia para oferecer segurança jurídica ao setor, enfatizando que o Brasil não pretende seguir um modelo histórico baseado apenas na exportação de matéria-prima bruta.








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