Dario Durigan pode estar vivendo uma situação rara na política econômica brasileira: a possibilidade de deixar o Ministério da Fazenda justamente antes de começar a fase mais difícil do trabalho. Se não permanecer no cargo em 2027, caberá ao sucessor administrar as consequências fiscais da reeleição de Lula, conciliar as promessas de campanha com um Orçamento apertado e enfrentar um mercado financeiro que já demonstrou pouca disposição para conceder novos votos de confiança.
A conta não é pequena. Estimativas da Instituição Fiscal Independente apontam que os compromissos eleitorais podem acrescentar de 40 bilhões a 50 bilhões de reais às despesas de 2027. Ao mesmo tempo, a equipe econômica tenta construir uma trajetória de ajuste gradual, com melhora do resultado primário e contenção do crescimento das despesas. A conciliação dessas duas agendas exigirá decisões políticas que o presidente ainda não tomou.
Durigan vem defendendo a responsabilidade fiscal, rejeitando soluções heterodoxas para a política monetária e tentando convencer investidores de que não haverá uma ruptura econômica. Mas uma coisa é preparar diagnósticos e apresentar propostas. Outra, muito diferente, é assumir o custo político de implementá-las, negociar medidas impopulares com o Congresso e administrar a reação das diferentes alas do PT.
O ministro ainda não discutiu publicamente os termos de uma eventual sucessão com Lula. Seu nome aparece entre as possibilidades para o próximo governo, ao lado de Rafael Fonteles e Geraldo Alckmin. Isso impede tratar sua saída como certa. Ainda assim, caso a troca aconteça, Durigan poderá deixar o posto antes que a cobrança mais dura pelas escolhas fiscais recaia sobre o comando da Fazenda.
A ironia é que o sucessor talvez precise executar justamente parte das propostas formuladas pela equipe atual — mas em condições políticas e econômicas muito menos favoráveis. Para Durigan, uma eventual despedida representaria a oportunidade de preservar o capital político e profissional acumulado. Para quem assumir, começará o trabalho de transformar promessas eleitorais e projeções fiscais em decisões concretas. E assumir a responsabilidade pelas consequências.
Fonte: Abril










/https://s02.video.glbimg.com/x720/14686805.jpg)




