O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com representantes de centrais sindicais no Palácio do Planalto, um dia após o envio ao Congresso Nacional do projeto de lei que propõe a redução da jornada de trabalho para no máximo 40 horas semanais e o fim da escala 6×1. O encontro, que seguiu a “marcha da classe trabalhadora” em Brasília, foi palco para a apresentação de 68 reivindicações e um apelo presidencial à mobilização.
Apelo Presidencial por Mobilização
Ao dirigir-se aos dirigentes sindicais, Lula enfatizou a necessidade de pressão dos trabalhadores para a aprovação da redução de jornada. Ele sublinhou a “sagrada responsabilidade de lutar pelos trabalhadores que vocês representam”, reconhecendo o período como desafiador e afirmando que a aprovação de qualquer projeto no Congresso exige o apoio e o empenho das bases sindicais.
Inspiração e Combate ao Burnout
Durante o evento, o presidente homenageou Rick Azevedo, ativista e ex-balconista, idealizador do movimento 'Vida Além do Trabalho', que serviu de inspiração para o projeto de redução de jornada. Azevedo relatou ter sofrido de burnout e depressão devido ao excesso de trabalho e à falta de descanso, e como um vídeo seu no TikTok, denunciando o modelo 6×1, viralizou. Lula chegou a sugerir que a futura lei fosse batizada com o nome do ativista.
Críticas a Reformas Anteriores e Alerta sobre Retrocessos
Lula aproveitou a ocasião para criticar as reformas Trabalhista (2017) e da Previdência (2019), classificando-as como retrocessos para a classe trabalhadora. Ele alertou que a luta atual é mais árdua e mencionou a existência de grupos de oposição no Brasil que defendem reformas semelhantes à da Argentina, que preveem o aumento da jornada para até 12 horas diárias, reforçando a necessidade de vigilância e combate a tais propostas.
Perspectivas Sindicais: Empregos, Qualidade de Vida e Desafios Futuros
Geração de Oportunidades e Combate à Precariedade
Os representantes das centrais sindicais expressaram apoio à iniciativa do governo. Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), destacou que a medida pode gerar 4 milhões de empregos, impulsionando um novo mercado de trabalho e uma indústria voltada para a sustentabilidade socioambiental, além de combater a “pejotização”. Miguel Torres, presidente da Força Sindical, celebrou a mobilização de mais de 20 mil trabalhadores na marcha e defendeu que o projeto está maduro para vigorar, propiciando mais tempo para família, saúde, lazer, estudo e desenvolvimento pessoal.
Pauta Ampla e Impactos da Transformação Tecnológica
Clemente Ganz, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, explicou que as 68 reivindicações entregues ao presidente delineiam uma pauta para os próximos cinco anos, focando na profunda transformação do mundo do trabalho por mudanças tecnológicas. Ele ressaltou que a inteligência artificial e a inovação impactarão principalmente mulheres e jovens, conforme estudos da OIT, e mencionou a emergência climática como outro fator transformador. Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), salientou a importância de proteger trabalhadores por aplicativo e entregadores, visando a vida, saúde e o futuro da juventude. Sônia Zerino, presidenta da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), acrescentou à pauta a necessidade de combater o feminicídio através da conscientização e educação.









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