O português brasileiro é enriquecido por uma vasta gama de palavras de origem africana, notavelmente dos troncos linguísticos banto e iorubá. Esses termos permeiam o vocabulário, descrevendo culinária, sentimentos, partes do corpo e manifestações culturais. A celebração do Dia da África, em 25 de maio, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), ressalta a importância dessas conexões históricas e culturais.
Contribuições Lexicais de Ivanir dos Santos
O pedagogo e pesquisador brasileiro Ivanir dos Santos, babalaô e doutor em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enfatiza a presença africana no léxico diário. Ele lista exemplos como: Aluá (bebida fermentada), Axé (energia, força vital ou saudação), Bagunça (desordem, confusão), Berimbau (instrumento musical de corda), Bunda (nádegas), Caçula (filho mais novo), Cafuné (carinho na cabeça, acariciar), Dengo (manha, carência), Fubá (farinha de milho), Moleque (menino), Quitanda (pequeno comércio de hortaliças ou mercado), Samba (gênero musical e dança) e Xodó (pessoa muito querida, apego). O trabalho de Ivanir dos Santos é também reconhecido pela defesa dos direitos humanos e combate ao racismo e à intolerância religiosa.
Análise Linguística por Ricardo Cavaliere
Ricardo Stavola Cavaliere, filólogo e linguista, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), salienta a amplitude do vocabulário de origem africana no português do Brasil, cobrindo diversas áreas da atividade social. Ele destaca palavras na culinária ('vatapá', 'dendê', 'moqueca', 'farofa'), na música ('berimbau', 'cuíca') e na fauna ('chimpanzé', 'camundongo'). Cavaliere ocupa a cadeira número 8 na ABL desde abril de 2023.
Ajustes Fonéticos e Semânticos
Cavaliere explica que, geralmente, essas palavras mantêm o significado original na língua de origem. Contudo, há casos como 'samba', que demonstram alteração semântica no português, passando de um tipo de dança para designar um gênero musical. Ele também observa que as palavras de origem africana sofreram 'ajuste fonético' ao serem incorporadas ao léxico português.
Termos no Âmbito Familiar
No trato familiar, palavras como 'dengo' (para designar carinho e afeto) e 'caçula' (referindo-se ao filho mais novo) ilustram essa influência. A inclusão desses termos no ambiente doméstico é atribuída à intensa presença de mulheres escravizadas nas atividades familiares a partir do Primeiro Império. O termo 'cafuné', vindo do quimbundo, exemplifica essa relação íntima, referindo-se ao ato de coçar ou acariciar a cabeça, comum nas famílias brasileiras do século XIX.
Origens e Evolução Linguística
Inicialmente, as línguas que mais contribuíram para o vocabulário brasileiro foram o quimbundo, o umbundo e, em menor medida, o quicongo. Essas línguas chegaram com o expressivo fluxo do tráfico escravagista a partir da segunda metade do século XVI. A relevância do quimbundo foi tamanha que motivou o padre jesuíta Pedro Dias a compor uma gramática dessa língua, publicada em 1697, para facilitar seu aprendizado por padres em missão no Brasil. A partir do século XVIII, o aumento do tráfico de pessoas escravizadas de etnia iorubá ou nagô ampliou a presença de palavras desse tronco linguístico, notavelmente na 'língua de santo', presente nos cultos de candomblé, com termos como 'orixá', 'babalorixá' e 'Ogum'.
A Perspectiva Angolana com Gio Cattuco
O pesquisador angolano Geovany Fernandes-Cattuco, conhecido como Gio Cattuco, é um criador de conteúdo digital que valoriza a cultura angolana e africana. Ele destaca a origem de palavras angolanas adotadas no vocabulário brasileiro, como 'dengo', que em português significa doçura, carinho, atenção, e é originária do termo 'ndengu' da língua quicongo. Dessa mesma língua vem 'muvuca', derivada de 'mvuca', que significa aglomeração. Do quimbundu, várias palavras foram inseridas no vocabulário brasileiro, entre elas 'cambada' (do termo 'dikamba', amigo ou companheiro), 'capanga' ('kubanga', lutar), 'babá' (do verbo 'kubaba', acalentar ou embalar uma criança), 'beleléu' ('mbalale', sepultura ou campa) e 'caçamba' ('kisambu', espécie de cesto grande).









/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/4/Z/BtsubuSIWO5o2z9AxnrA/dsc-4522.jpg)


/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/X/U/8hdAM2QIe2o3YDJxgCRQ/curso-2.jpg)

/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/0/u/zjYjraTjerKOg02b6fvw/dsc7948.jpg)

/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/9/y/zJYjtiTBKpd5X59LEOMA/img-7041.jpg)

/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/0/a/Ko6Fp2TOS0zO8CRhQWTA/pre-carnaval-fortaleza.jpg)







