As conferências oficiais da primeira edição do Rio Nature & Climate Week foram concluídas, colocando em evidência as propostas e soluções do Sul Global para a crise climática. Regiões como América Latina, África e Sudeste Asiático são detentoras de uma parcela significativa dos recursos naturais do planeta, incluindo 90% das florestas tropicais e 80% da biodiversidade mundial.
Rodrigo Medeiros, presidente do Instituto Natureza e Clima Brasil e idealizador do fórum, destacou a importância de um evento que centralize as discussões do Sul Global. Ele enfatizou que este é um espaço para que as demandas, oportunidades e soluções desenvolvidas localmente sejam amplificadas globalmente, com o objetivo de influenciar a agenda mundial e criar um ecossistema de ações que integre políticas públicas, finanças, ciência, cultura e movimentos de base. O encontro ocorreu meses antes da COP31, marcada para novembro na Turquia.
O Papel da Redução do Metano
Um dos pontos altos do debate sobre a mitigação rápida do aquecimento global foi a necessidade de reduzir as emissões de metano. Medeiros explicou que um terço das emissões que mais contribuem para as mudanças climáticas são de gases como o metano, que, apesar de ser potente, tem um tempo de permanência na atmosfera relativamente curto, entre 10 e 12 anos. Essa característica o torna um alvo estratégico para ações de impacto rápido.
Estratégias para Controle do Metano
O metano é fortemente gerado pela decomposição de resíduos domésticos e industriais em aterros, e também pela pecuária. As soluções apresentadas incluem o investimento em tecnologias para capturar esse gás, convertendo-o em biogás, e a promoção de uma transição alimentar que reduza a dependência da produção intensiva de proteína animal.
Ana Toni, ex-secretária nacional de Mudança do Clima e atual CEO e diretora-executiva da COP30, reforçou que a redução das emissões de metano é uma das maneiras mais rápidas de avançar na luta contra as mudanças climáticas. Ela salientou que o metano é cerca de 80 vezes mais impactante que o CO₂ no curto prazo e que já existem tecnologias e soluções economicamente viáveis. O desafio, segundo ela, reside em transformar esse tema técnico em uma agenda amplamente compreendida e abraçada pela sociedade, com a comunicação desempenhando um papel crucial.
Engajamento Social e Iniciativas Paralelas
A programação paralela do evento incluiu a oficina “Vozes que Plantam o Futuro” na Casa Voz, no Complexo do Alemão. A iniciativa buscou oferecer formação, recreação e mobilização socioambiental para crianças e jovens, com o objetivo de criar um plantio coletivo permanente e fortalecer o vínculo das juventudes com a sustentabilidade e o cuidado com o território. Outros eventos abordaram a temática de periferias urbanas e assentamentos informais, destacando a relevância da inclusão e da sustentabilidade nesses contextos.












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