A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas entrou em vigor em 5 de maio, gerando potenciais consequências econômicas e geopolíticas para o Brasil. O governo brasileiro criticou a medida, expressando preocupação com a possível interferência de Washington em assuntos internos sob o pretexto de combate ao terrorismo.
Repercussões e Posicionamento Brasileiro
O Palácio do Planalto defende que o enfrentamento ao crime organizado deve pautar-se na cooperação internacional, respeitando a soberania dos Estados. Especialistas consultados pela Agência Brasil alertam que a medida estadunidense pode limitar a autonomia do Brasil e servir de base para intervenções estrangeiras diretas, além de impactar negativamente a economia, afetando o turismo, investimentos, comércio exterior e o sistema financeiro nacional.
Estratégia dos EUA na América Latina
A administração Trump já designou cartéis mexicanos e grupos criminosos de países como Venezuela, Equador e Colômbia como terroristas. Em março, os EUA formaram a coalizão "Escudo das Américas", teoricamente para combater o narcotráfico, mas também visando afastar a influência econômica de adversários geopolíticos como China e Rússia. Essa estratégia foi utilizada para justificar ações como o sequestro do presidente venezuelano Nicolas Maduro e pressões sobre o México, ações que a presidenta Claudia Sheinbaum denunciou como interferência.
Medidas Comerciais Adicionais e Críticas ao Brasil
Quatro dias após o anúncio sobre as facções, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA recomendou à Casa Branca a taxação de 25% sobre importações brasileiras, alegando práticas comerciais desleais.
Questionamento sobre o Pix
O documento estadunidense também criticou o Pix, sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, afirmando que estaria prejudicando empresas de pagamento dos EUA, como Visa, Mastercard e Whatsapp Pay.
No dia seguinte à crítica ao Pix, o governo Trump anunciou a intenção de aplicar tarifas adicionais de 10% ou 12,5% sobre importações de 60 países, incluindo o Brasil, sob a justificativa de falhas no combate ao comércio de produtos fabricados com trabalho forçado.
O governo brasileiro contestou vigorosamente essas justificativas, interpretando-as como medidas protecionistas unilaterais. O Itamaraty indicou que o Brasil poderá acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, que autoriza ações comerciais contra países que imponham barreiras aos produtos nacionais.










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