A prática da yoga, no geral, passa longe do cenário competitivo. O controle da respiração, a meditação, o estado de calmaria e relaxamento não são o que primeiro vem em mente em esportes de alto rendimento. Mas uma das vertentes da yoga pode alçar a prática a novos ares, até mesmo dos Jogos Olímpicos.
A yoga é dividida em “pétalas”, como meditação, votos morais, técnicas de respiração e asana. Esta última se refere às posturas corporais realizadas e resulta na yogasana, a prática competitiva da yoga.
Na Índia, onde a yoga surgiu há pelo menos 4.000 anos, competições da modalidade não são novidade com o primeiro registro de um torneio em Calcutá, em 1973. Mas apenas neste ano, ganhou caráter global com um torneio mundial unificado de yogasana sob chancela da organização World International Yogasana realizado em junho.
O país-sede foi o grande vencedor do torneio com 114 medalhas conquistadas, sendo 102 de ouro. Distante na tabela de medalhas, o Japão ficou na segunda colocação com três medalhas de ouro, três pratas e cinco bronzes. A Argentina completou o pódio com o sucesso da sua atleta Nabila Barraza, que sozinha levou dois ouros e três pratas.
No lançamento do Mundial, o Ministro dos Esportes da Índia, Mansukh Mandaviya, confirmou o interesse de tornar a modalidade em um esporte olímpico: “O Yogasana estará entre os esportes tradicionais dos Jogos da Commonwealth de 2030, em Ahmedabad… Estamos nos candidatando para sediar os Jogos Olímpicos de 2036 e, quando isso acontecer, nosso esporte deverá estar incluído na programação. Tanto o governo da Índia quanto a federação nacional (Yogasana Bharat) estão realizando esforços para garantir que a ioga se torne um esporte olímpico até lá”, afirmou.
A Índia sediará o Jogos da Commonwealth em 2030 e é um dos setes países que demonstraram interesse de sediar os Jogos Olímpicos em 2036.
Controvérsias
Entre os praticantes da yoga, há quem defenda a inclusão da modalidade competitiva nas Olimpíadas. Udit Sheth, presidente da Yogasana Bharat, entidade de promoção da modalidade competitiva, afirmou em entrevista ao The Guardian: “Esses atletas talentosos têm força, postura, equilíbrio e disciplina extraordinários. Se programas como America’s Got Talent e Britain’s Got Talent podem ser exibidos na televisão e alcançar índices de audiência tão elevados, esses atletas de yogasana também podem realizar feitos impressionantes.”
Tendo a ginástica como ponto de partida mais próximo no programa olímpico, Sheth explica: “Ambas as práticas exigem força, flexibilidade e coordenação. Nas duas, os participantes são avaliados por juízes. Mas a diferença é que o yogasana tem uma modalidade individual tradicional, uma modalidade em grupo e uma modalidade em duplas. Ao contrário da ginástica, ele é estático. O desafio consiste em manter a serenidade e o controle enquanto se está naquela postura. Não se trata apenas de alcançar uma posição difícil, mas de permanecer nela. Trata-se de se destacar mesmo estando imóvel.
No entanto, também há quem discorde da inclusão da modalidade nas Olimpíadas. “Não é nem que eu tenha algum problema com pessoas que fazem performances com o próprio corpo e depois as chamam de ioga, buscando reconhecimento e ganhos pessoais ou promovendo o nacionalismo cultural”, afirma Divya Kohli, professora de yoga no Reino Unido há muitos anos. “Meu problema é que os fundamentos duradouros da ioga exigem que você deixe de ser escravo do próprio ego. Isso significa que você não busca aprovação externa. Avaliar a execução de uma postura por seu grau de dificuldade física e atribuir pontos com base nisso? Isso é horripilante. É uma loucura.”
Fonte: Abril











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