Fortes ventos atingiram os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, causando estragos e mortes. A capital fluminense registrou rajadas de 105 km/h, enquanto em São Paulo os ventos chegaram a 125 km/h, resultando em pelo menos duas mortes e embarcações afundadas.
Análise Meteorológica dos Eventos
Segundo Suellen Araujo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno foi causado pela formação de uma zona de baixa pressão atmosférica na região, combinada com o deslocamento do ar nas camadas superiores da atmosfera, conhecido como “escoamento”. Essa conjunção de fatores gerou rajadas de vento intensas, superando 100 km/h em ambos os estados.
Marcelo Seluchi, do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), explicou que as rajadas se originaram de uma linha de instabilidade, uma sequência de tempestades alinhadas que se formaram sobre uma frente fria no Sul do Brasil. Essa linha criou uma "frente de rajada", responsável pelos ventos sentidos. Ele acrescentou que a frente de rajada avançou mais rapidamente que a linha de nuvens da tempestade em si, dissipando-se conforme avançava para o norte.
Relação com o El Niño
Tanto o Inmet quanto o Cemaden concordam que ainda não é possível associar diretamente as ventanias de quarta-feira ao El Niño, um fenômeno climático que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico e que, neste ano, é esperado ser um dos mais intensos dos últimos 76 anos, conforme a Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (Noaa).
Suellen Araujo ressaltou a necessidade de uma avaliação mais minuciosa para verificar qualquer possível relação. Seluchi complementou que, embora seja difícil estabelecer uma conexão direta com as rajadas de vento, a frequência com que frentes estacionárias têm atuado na Região Sul — ponto de origem da linha de tempestades — já pode ter relação com o El Niño. Ele classificou a linha de instabilidade como um "efeito secundário" da presença dessas frentes.
Apesar da possível ligação indireta, Seluchi enfatizou que linhas de instabilidade e rajadas de vento são fenômenos que podem ocorrer em qualquer época do ano, independentemente da presença do El Niño. O meteorologista Thiago Sousa, da Uerj, reforça que são necessários estudos mais aprofundados para confirmar ou refutar essa correlação com o fenômeno climático.










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