Pesquisadores, profissionais da mídia, estudantes e representantes da radiodifusão pública brasileira participam do 7º Simpósio Nacional do Rádio, realizado no Palácio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro. Com o tema “Rádio Nacional 90 anos: memória, inovação e futuros da mídia sonora”, o evento, promovido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e pelo Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom, propõe uma reflexão aprofundada sobre as transformações tecnológicas, culturais e políticas que impactam a comunicação contemporânea.
Legado e Relevância Histórica da Radiodifusão
Fundada em 1936, a Rádio Nacional foi um marco na radiodifusão brasileira, consolidando-se como um fenômeno cultural de alcance nacional. Suas mesas de discussão abordaram a memória, inovação tecnológica, produção de conteúdo em áudio, comunicação pública e o alcance social do rádio, especialmente na Amazônia, onde cerca de 80% da população ainda o ouve diariamente. A abertura do simpósio ocorreu um dia após o Encontro da Rede Nacional de Comunicação Pública, evidenciando o papel da EBC como cabeça de rede da comunicação pública brasileira.
O Papel da Rádio Nacional da Amazônia
A radialista Mara Régia, uma das vozes mais aplaudidas, destacou a importância histórica da Rádio Nacional da Amazônia, descrevendo-a como um instrumento de cidadania e pertencimento. Para Mara, a emissora vai além da informação, sendo “companhia, serviço, socorro e pertencimento para quem vive distante dos grandes centros”, e ressaltou o papel afetivo e de apoio da rádio ao longo das décadas, chegando onde muitas vezes o Estado não consegue, criando vínculos e identidade cultural.
Inovação e Adaptação Tecnológica da Mídia Sonora
As discussões do simpósio também se voltaram para a evolução tecnológica da mídia sonora, desde o rádio AM até os podcasts e plataformas digitais. O jornalista Heródoto Barbeiro enfatizou a contínua relevância do rádio, atribuindo-a à sua capacidade de adaptação e à relação direta com os ouvintes. Ele afirmou que o rádio permanece como “o grande canal de informação” e que “o povo ouve rádio” até hoje, ressaltando sua credibilidade e agilidade históricas.
Heródoto Barbeiro apontou que a Rádio Nacional atravessou gerações sem perder sua essência, tendo um passado intenso, um presente ativo e um futuro promissor. Ele relembrou a agilidade que marcava o rádio, onde autoridades e artistas atendiam prontamente aos repórteres, dada a exigência de resposta imediata, o que demonstra o grande respeito pelo meio.
Destaques e Representatividade na Radiodifusão
Outro ponto alto da programação foi a participação da jornalista esportiva Luciana Zogaib, da Rádio Nacional. Reconhecida como a primeira mulher a narrar uma partida de futebol no rádio brasileiro, sua trajetória foi apresentada como um símbolo da ampliação do espaço feminino na radiodifusão esportiva. Luciana compartilhou os desafios enfrentados em um ambiente historicamente masculino e a importância de abrir caminhos para novas gerações de mulheres na comunicação esportiva, reforçando o poder de transformação da mídia sonora.










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