Paraty, na Costa Verde fluminense, consolidou-se nos últimos anos como um vibrante destino cultural. Seu Centro Histórico, com calçamento de pedra e arquitetura colonial à beira-mar, é palco de diversos festivais, incluindo a renomada Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).
Com o intuito de fortalecer a cena cultural local, impulsionando artistas e produtores da região, e de estimular a participação comunitária em práticas culturais, o Sesc inaugurará em agosto uma nova unidade no bairro Caborê.
Antônio Couto, gerente do Polo Sociocultural do Sesc de Paraty, ressalta que a relevância cultural da cidade transcende os grandes eventos e artistas externos, enraizando-se também em suas comunidades. Ele destaca: "Paraty é um território muito rico, com diversas comunidades tradicionais, caiçaras, indígenas, quilombolas, e festejos populares muito ativos. Tem todo um conjunto de elementos que tornam a cidade muito especial, e toda a economia gira em torno do turismo cultural e de natureza".
Formação Cultural e Expansão Comunitária
A primeira etapa da obra, com 3 mil metros quadrados de área construída, será inaugurada em 12 de agosto. O espaço é dedicado à formação e produção cultural, oferecendo salas para aulas e ensaios de música e dança, além de ateliês de artes plásticas e cultura maker. Um diagnóstico prévio foi realizado para mapear interesses e necessidades da população local.
Couto explica que foram realizadas "várias ações de aproximação com os grupos locais, especialmente da juventude, inclusive para apresentar o Sesc para os moradores, porque a gente precisava entender como fortalecer a comunidade".
Inicialmente, estão previstas 28 atividades, incluindo oficinas, capacitações profissionais e exposições. Com a abertura da unidade Caborê, o Sesc projeta triplicar seus atendimentos anuais na cidade, passando de 20 mil para 60 mil pessoas.
Todas as iniciativas são gratuitas, com prioridade de inscrição para trabalhadores do comércio. Além disso, 30% das vagas são reservadas a indivíduos com renda mensal de até dois salários mínimos.
Antes da inauguração oficial, uma operação teste permitiu a realização de oficinas de dança, percussão, desenho e coral. Essas atividades, anteriormente oferecidas na unidade Sesc Santa Rita, no Centro Histórico, foram transferidas para o novo polo no Caborê.
Entre os primeiros a usufruir do espaço está a turma "Vozes da Memória", um coral cênico composto por cantores da terceira idade. Silvana Basilio, de 71 anos, elogia a nova localização: "Eu tô vibrando com isso aqui. Até a localização é melhor pra mim, porque não pode entrar carro no Centro Histórico e isso dificulta pra quem tem algum problema de mobilidade, como eu".
Silvana relata que o coral, que também resgata lembranças musicais, proporcionou um reencontro com sua paixão: "Eu participei de um coral quando tinha 14 anos de idade na escola. Depois disso, nunca mais. Hoje, eu me sinto realizada. Cantar faz bem pra mente, pra alma…"
Sara Cabral, de 63 anos, também compartilha sua satisfação, destacando as apresentações anuais e a camaradagem do grupo: "Dá um friozinho na barriga sempre, mas eu adoro desafios. No ano passado, eu interpretei uma drag queen e foi ótimo! Eu entrei no coral depois de ser convidada por uma pessoa que já fazia parte e não vou sair nunca mais. As minhas tardes eram 'cama e sofá'. Depois que eu conheci o grupo, isso acabou. A gente dança, canta, brinca umas com as outras. Todo mundo aqui é amigo, cada um tem seu espaço, e todos têm seu talento".
Estúdio Profissional de Áudio
Um dos grandes diferenciais da nova unidade é a instalação de um estúdio completo para gravação de áudio, representando a primeira estrutura profissional desse tipo em Paraty.
Guilherme Carvalho, analista de cultura do Sesc e responsável pela programação musical do polo, destaca o potencial: "Nós temos um potencial enorme não só de ampliar o atendimento às populações de Paraty, mas também aumentar a frequência de artistas do restante do Brasil na cidade. E essa é uma forma de difusão democrática de cultura".









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