Depois de Donald Trump, Elon Musk foi o maior perdedor das eleições de terça-feira. A piadinha que ele fez correu o mundo — “Data centers no espaço parecem mais atrativos agora” —, mas não é exatamente só um chiste. O homem mais rico do mundo realmente pode transferir para fora da Terra os centros de processamento de dados para os quais a governadora eleita do Texas, Gina Hinojosa, pediu uma moratória.
Tudo o que Elon Musk põe na cabeça, Elon Musk faz. Mas imaginem o custo — e o tempo envolvido, num momento crucial da corrida pela inteligência artificial, com a concorrência chinesa a apenas uma pequena distância de passar na frente.
Motivo pelo qual a China está na lista dos ganhadores indiretos da eleição. Tudo o que atrapalhar o avanço dos americanos é uma vantagem tremenda para o gigante asiático.
Musk foi para o Texas, com a Tesla e a SpaceX, buscando as vantagens fiscais e operacionais, como terrenos mais baratos e menos regulamentação, que a Califórnia não oferecia. O estado solidamente republicano parecia inexpugnável, até que deixou de sê-lo, mesmo com a torrente de dinheiro — 224 milhões de dólares — que Musk colocou nos candidatos conservadores.
SURRA DE VOTOS
Por causa da vitória democrata, as ações da Tesla e da SpaceX perderam 159 bilhões de dólares no dia seguinte à eleição. O mercado vive do sobe e desce, mas a reação imediata mostra como a corrida da inteligência artificial, movida a data centers, foi um elemento crucial por trás da surra de votos dada nos republicanos.
Poderá a governadora eleita interferir no desenvolvimento dos data centers? Analistas do mercado não acham impossível, agora que até a Câmara de Deputados estaduais do Texas seguiu a tendência geral e também deu a maioria aos democratas.
A governadora terá a seu favor a opinião pública, maciçamente contrária aos gigantescos centros de processamento, que perturbam a vida das pequenas cidades do interior, com iluminação e poluição sonora e visual permanentes, além do alto consumo de água e eletricidade. A China, por não ser um país democrático, não tem esse problema.
“Haverá muitas negociações e movimentos políticos nessa frente, principalmente no Texas, que é a base da expansão da IA nos Estados Unidos”, disse ao Telegraph o analista Dan Ives.
SENTIMENTOS NEGATIVOS
Negociar é o nome do jogo. Donald Trump acalmou os mercados com a declaração conciliadora sobre “trabalhar com os democratas” — ao contrário dos catastrofistas que antecipavam reações turbulentas que iam da rejeição do resultado das urnas até uma tentativa de golpe.
Existe uma maneira de conciliar as necessidades da corrida da inteligência artificial com os sentimentos negativos da opinião pública em relação aos mastodontes tecnológicos necessários para movê-la? É uma questão em aberto, de natureza crucial para a humanidade.
A alternativa é colocar a infraestrutura toda no espaço, como disse Musk, meio brincando, meio a sério. Outra piada foi sobre “os lasers espaciais de interferência eleitoral” que não funcionaram. Nem eles nem os milhões de dólares.
Dependendo dos critérios de contagem, os Estados Unidos têm entre 3,1 mil e 5,4 mil data centers. Essa superioridade maciça — as instalações não chegam a 500 na China — tem que ser preservada com a concordância da população. Um desafio e tanto até para Elon Musk.
Fonte: Abril











/https://s02.video.glbimg.com/x720/14686805.jpg)




