A polícia francesa usou gás lacrimogêneo e avançou contra manifestantes nesta quinta-feira, 5, em Lyon, no sudeste da França, durante uma nova onda de protestos contra o governo do presidente Emmanuel Macron.
Organizadas por sindicatos e apoiadas por grupos estudantis, as mobilizações se espalharam por diversas cidades e reúnem reivindicações relacionadas ao custo de vida, à precariedade dos serviços públicos e às condições de ensino.
Em Lyon, alguns participantes vestidos de preto e com o rosto coberto gritaram palavras de ordem contra as forças de segurança. Em Paris, estudantes bloquearam uma rua com contêineres de lixo e também entraram em confronto com agentes. Já nos arredores de Toulouse, no sudoeste do país, uma escola de ensino médio foi incendiada na manhã desta quinta-feira, segundo a emissora francesa BFM TV.
A nova jornada de insatisfação ocorre poucas semanas depois de episódios de violência urbana que abalaram o país. Em 17 de outubro, tumultos e saques atingiram estabelecimentos comerciais e prédios públicos, em uma onda de distúrbios que surpreendeu as forças de segurança e ampliou as críticas à condução da crise pelo governo Macron.
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Reforço na segurança
Para evitar novos episódios de violência, as autoridades francesas mobilizaram cerca de 70 mil agentes em todo o território nacional. O serviço de inteligência interna estima que entre 500 mil e 700 mil pessoas participem das manifestações fora de Paris. Na capital, o principal ato está marcado para as 14h (horário local), com concentração na Place de la République. Lyon, Marselha e Nantes já registravam movimentações desde o início da manhã.
A paralisação de funcionários públicos, convocada por centrais sindicais como a CGT, também afetou serviços e atividades econômicas. A produção de energia nuclear francesa registrou uma redução nas primeiras horas do dia, embora não tenham sido relatados grandes problemas no transporte. Segundo o Ministério da Educação, pouco mais de 15% dos profissionais do ensino aderiram à greve. A Torre Eiffel também permaneceu fechada em razão da paralisação.
Em entrevista à emissora LCI, a secretária-geral da CGT, Sophie Binet, pediu uma adesão expressiva e afirmou que havia atos previstos em 260 cidades. A pauta mobiliza trabalhadores, aposentados e estudantes, que também demonstram preocupação com as condições nas escolas e a falta de perspectivas para o futuro profissional.
Pressão sobre Macron
A retomada dos protestos ocorre a cerca de cinco meses da eleição presidencial francesa, em meio ao desgaste da popularidade de Macron. Em seu segundo mandato, o presidente não poderá concorrer novamente. A disputa de 2027 poderá ter, em um eventual segundo turno, a líder da direita radical Marine Le Pen e o representante da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon.
Antes das mobilizações desta quinta-feira, o governo realizou uma reunião de segurança para preparar a resposta das autoridades e evitar a repetição dos distúrbios de outubro. O Executivo defende a atuação dos agentes, mas afirma que eventuais abusos durante as operações serão investigados.
Fonte: Abril









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