A eleição passou. Lula venceu. Flávio Bolsonaro perdeu. Eleitores que votaram na esquerda e na direita vão cobrar agora do presidente da República o país prometido na campanha eleitoral. É aí que começa uma nova saga.
Em 2014, a então presidente Dilma Rousseff, depois de cavar uma das maiores crises fiscais daquele tempo, fez literalmente “o diabo” para se reeleger, gastou além das possibilidades do país, prometeu o que não conseguiria entregar e protagonizou um dos governos mais turbulentos da história brasileira, encerrado prematuramente por um impeachment.
Lula não chega a estar exatamente na situação de sua sucessora e aliada porque o ronco das ruas, que explodiu em 2013 contra Dilma, ainda não apareceu. Os escândalos de corrupção que envenenaram o governo petista na década passada, no entanto, estão todos aí.
Lula precisará encontrar algum tipo de feitiço que acomode os já exorbitantes gastos contratados da máquina federal com os que ele anunciou na campanha. Terá ainda que acomodar os impactos gigantescos para a economia do fim da escala 6×1, uma pauta populista que avançou sem estudos nem legislação adequada durante o período eleitoral apenas para reeleger o petista. Novembro vem aí e, com ele, a temporada de renovação de matrículas nas escolas privadas.
Milhões de famílias brasileiras terão de pagar a conta do populismo, seja em reajustes de mensalidade que já se anunciam na casa de 10% a 17% na educação, além da escalada de preços no setor de serviços e em outras áreas da economia. No setor de bares e restaurantes, por exemplo, já se anuncia uma onda de demissões, encarecimento dos pratos e novos modelos de funcionamento de estabelecimentos.
O impacto deve se revelar mais cedo do que o governo gostaria. A conta, como parece natural, será do presidente da República. Numa máquina pública já quebrada por quase quatro anos de política perdulária, pautada no gasto como método, Lula terá de governar com um Parlamento inclinado a ser oposição, com capacidade para eleger um chefe do Legislativo de direita e com força para provocar tempestades nas duas Casas do Parlamento.
Com a dívida pública em patamares históricos, há ainda o compromisso petista de preservar empregos, garantir a elevação de renda para trabalhadores e aposentados, a multiplicação de incentivos a microempreendedores, o perdão de dívidas em geral, transporte gratuito aos fins de semana em todo o país, expansão de benefícios a estudantes e a famílias de baixa renda, subsídio aos combustíveis e crédito fácil e barato ao setor produtivo, num país com os juros em franca escalada.
Além da crise fiscal, Lula precisará cumprir a promessa de reformar o Judiciário e punir magistrados que “enriqueceram” com a toga. Também precisará mudar uma lógica de governo centrada no PT e abrir espaço a partidos aliados, criando condições para que o governo pelo menos não caia na primeira proposta de impeachment no Congresso.
Fonte: Abril









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