O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou nesta sexta-feira (8) a promulgação da Lei da Dosimetria. A medida, que será oficializada em edição extra do Diário Oficial da União, foi tomada em conformidade com a Constituição Federal, uma vez que o Presidente da República não realizou a promulgação no prazo estabelecido de 48 horas. Esta legislação tem o potencial de reduzir penas para indivíduos sentenciados por crimes contra o Estado Democrático de Direito, especialmente no contexto dos atos de 8 de janeiro de 2023.
Detalhes e Impacto da Nova Lei
A Lei da Dosimetria propõe uma redefinição no cálculo das sanções penais. Ela estabelece que crimes como tentativa de acabar com o Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, quando perpetrados no mesmo cenário, implicarão na aplicação da pena mais severa entre eles, e não na soma de ambas. O objetivo central é a 'calibração da pena mínima e máxima de cada tipo penal', promovendo uma alteração na metodologia geral de cálculo das sentenças.
Anteriormente, o projeto de lei havia sido vetado integralmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que argumentou que a proposta violava o interesse público ao diminuir as penalidades para crimes que afetam a democracia. Contudo, o Congresso Nacional reverteu o veto presidencial, permitindo que a lei prosseguisse para a promulgação.
Condenações Anteriores e Potenciais Beneficiados
Até o momento, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou 1,4 mil pessoas por delitos relacionados aos eventos de 8 de janeiro. Desse total, 431 receberam penas de prisão, 419 foram sentenciadas a penas alternativas e 552 formalizaram acordos de não persecução penal. O maior grupo de condenados, representando 28% do total, recebeu penas de um ano de prisão. Em seguida, 15,19% dos sentenciados receberam condenações de 14 anos de prisão.
A pena mais elevada foi aplicada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão. Além dele, figuras como os militares Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil; e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), estão entre os que podem ser beneficiados pela nova lei. Para ter acesso à redução das penas, os condenados deverão formalizar um pedido de recálculo ao Supremo Tribunal Federal.










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