O inverno no Hemisfério Sul teve início oficial neste domingo (21), às 5h24, marcando a estação de dias mais curtos e tradicionalmente temperaturas baixas, que se estenderá até 22 de setembro. No entanto, o ano de 2023 traz uma peculiaridade: a forte influência do fenômeno El Niño, recém-confirmado pela Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera (Noaa), que deve resultar em um inverno com temperaturas mais elevadas no Brasil.
O Fenômeno El Niño e Seus Efeitos no Clima
O El Niño, cujo nome em espanhol significa 'O Menino', é caracterizado pelo aquecimento significativo das águas da região equatorial do Oceano Pacífico. Sua nomenclatura foi atribuída por pescadores peruanos e equatorianos, em referência ao Menino Jesus, devido à periodicidade do fenômeno ocorrer próximo ao Natal.
Conforme Melquizedek Rafael Duarte da Silva, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a expectativa é de um inverno com temperaturas menos rigorosas que o usual. Ele explica que o El Niño gera um bloqueio atmosférico, especialmente nas proximidades de São Paulo, impedindo o avanço das frentes frias para as regiões Sudeste e Centro-Oeste do país.
Além das elevações térmicas nessas áreas, o El Niño também potencializa a ocorrência de chuvas, principalmente na região Sul do Brasil. O fenômeno pode intensificar os eventos extremos de precipitação, que já são característicos do inverno sulista, resultando em volumes muito altos em curtos períodos, o que agrava a situação local.
Desafios nas Previsões Climáticas Atuais
Apesar das projeções, os impactos exatos e a duração dos fenômenos climáticos tornaram-se mais complexos de prever com grande antecedência. O meteorologista aponta o aquecimento global e as mudanças climáticas como fatores que dificultam a elaboração de prognósticos de longo prazo.
Ele exemplifica que períodos de temperaturas elevadas, estiagem ou chuva, que historicamente duravam de dois a três meses, agora podem se estender por quatro ou cinco meses. Essa alteração na temporalidade dos eventos climáticos representa um desafio significativo para a dinâmica da previsão em longo prazo.
A Natureza Astronômica do Inverno
Astronomicamente, o inverno é definido pelo período em que uma parte do planeta Terra recebe menor incidência de radiação solar direta. No Hemisfério Sul, onde se localiza o Brasil, a inclinação do eixo terrestre resulta em menos luz solar, enquanto o Hemisfério Norte experimenta o verão, com maior irradiação.
Devido à vasta extensão territorial do Brasil, a vivência do inverno varia significativamente conforme a latitude. Cidades como Chuí (RS), no extremo sul, registram dias com menos de 10 horas de luz solar, com o Sol nascendo por volta das 7h30 e se pondo às 17h30. Em contrapartida, Macapá, situada na linha do Equador, mantém horários de nascer e pôr do Sol quase constantes ao longo do ano, entre 6h15 e 18h15, não apresentando estações bem definidas.









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