O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como 'inflação do aluguel' e apurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou uma deflação de 0,5% em junho, indicando que, na média, os preços se tornaram mais baratos. Esta é a primeira deflação do índice desde fevereiro deste ano, com o resultado de junho de 2025 marcando -1,67% no mesmo período do ano anterior.
Contexto e Projeções do Mercado
No acumulado de 12 meses, o IGP-M soma 3,16%. No primeiro semestre, o indicador registra 3,27%. O resultado de junho veio abaixo das projeções do mercado financeiro, que, segundo o relatório Focus do Banco Central, esperava um índice de 0,03% para o mês. A expectativa para o final do ano é de um acumulado de 6,15% em 12 meses.
Comportamento Mensal do IGP-M em 2024
A trajetória mensal do IGP-M em 2024 demonstra volatilidade: janeiro apresentou 0,41%, seguido por -0,73% em fevereiro. Março registrou 0,52%, enquanto abril teve uma alta expressiva de 2,73%, influenciada por eventos no Oriente Médio. Em maio, o índice foi de 0,84%, culminando na deflação de -0,50% em junho.
Fatores Chave para a Queda de Preços
Matheus Dias, economista da FGV, aponta que a deflação foi impulsionada pela convergência dos preços de commodities energéticas e minerais aos patamares observados antes de março, ou seja, pré-guerra no Oriente Médio. No setor agrícola, o cenário positivo das principais safras resultou em maior oferta de produtos e subsequente queda nos preços de itens como cana-de-açúcar e café em grão. Parte dessas reduções foi repassada ao consumidor, beneficiando os preços da gasolina, etanol e café em pó.
Composição do IGP-M e Itens de Destaque
O cálculo do IGP-M considera três componentes principais. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), com peso de 60%, registrou deflação de 0,97% em junho. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que corresponde a 30% do indicador, subiu 0,47%, uma alta menos intensa que a do mês anterior (0,61%). O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com 10% do peso, variou positivamente em 0,85% no período.
Produtos com Maior Contribuição para a Deflação
No IPA, destacam-se as quedas em minério de ferro (-2,61%), café em grão (-9,69%), óleo diesel (-6,18%), farelo de soja (-2,98%) e cana-de-açúcar (-1,88%). No IPC, os principais responsáveis pela deflação foram gasolina (-1,29%), etanol (-5,61%), café em pó (-2,57%), maçã (-3,75%) e leite tipo longa vida (-0,80%). Já no INCC, o item carreto para retirada de entulho apresentou uma leve retração de -0,17%.
Aplicações do IGP-M
Conhecido como 'inflação do aluguel', o acumulado de 12 meses do IGP-M serve como base para o reajuste anual de contratos imobiliários. Além disso, é um indexador utilizado para atualizar diversas tarifas públicas, como energia elétrica e telefonia, e serviços essenciais. A FGV realiza a coleta de preços entre os dias 21 de maio e 20 de junho, em cidades como Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.










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