Ao concluir seu congresso em São Paulo, a Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba) emitiu um apelo contundente por políticas públicas de valorização das agremiações em todo o Brasil. A entidade defendeu a formação de profissionais do setor e o fomento ao turismo fora dos grandes centros, buscando apoio permanente, especialmente para escolas ligadas ao carnaval de rua em cidades de menor apelo turístico.
A 'Carta de São Paulo' e o Valor do Carnaval Comunitário
A 'Carta de São Paulo', documento divulgado ao fim do congresso, defendeu um olhar para além dos grupos especiais do Rio de Janeiro e São Paulo, priorizando as escolas de bairro e os desfiles comunitários. O manifesto da Fenasamba ressaltou que milhares de escolas de samba mantêm viva uma tradição que atravessa gerações, formando artistas, preservando memórias e fortalecendo identidades culturais em todo o país.
Debates e Desafios do Setor Carnavalesco
O encontro, realizado de 4 a 7 de junho, abordou temas como carnaval de rua, empreendedorismo, sustentabilidade e a fundamental importância das mulheres na dinâmica da festa e das escolas. Questões profissionais e desafios técnicos do setor também foram amplamente discutidos, consolidando-se no documento final, que enfatizou o papel do samba na preservação da memória e a necessidade de ampliar as fontes de financiamento.
Propostas para Financiamento Justo e Política Cultural
Entre as propostas concretas do documento, destaca-se a urgência de 'políticas públicas de Estado permanentes que garantam a qualificação dos profissionais do carnaval, ampliem o acesso aos mecanismos de financiamento, promovam o intercâmbio de experiências e fortaleçam as estruturas das escolas de samba em todas as regiões do Brasil'.
Os representantes das escolas consideraram crucial a distribuição justa e proporcional de verbas públicas, com mecanismos de equidade para favorecer grupos que carecem de visibilidade e apoio privado. Esta medida, argumentam, possibilitaria um planejamento financeiro adequado, evitando decisões pontuais ou apressadas, frequentemente dependentes de recursos de última hora.
A 'Carta de São Paulo' ainda cobrou do Ministério da Cultura a consolidação e criação imediata de uma Política Nacional de Fomento ao Carnaval. Essa política deveria contar com recursos federais permanentes e distribuição equitativa entre os estados, baseada em critérios técnicos, culturais e sociais, fortalecendo o carnaval como identidade nacional na esfera global.









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