
Lula vai ao TSE e protocola documento que libera sigilos se Flávio também o fizer
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) voltou a afirmar que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentou exigências para não abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico. A declaração foi feita nesta quinta-feira (22), durante visita à Santa Casa de São Carlos (SP), ao comentar a postura do candidato nos debates eleitorais. (Veja abaixo)
Segundo Alckmin, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a abertura dos sigilos como forma de garantir transparência e prestação de contas à sociedade.
“O presidente Lula colocou bem, falou: ‘Olha, vamos romper com os sigilos bancário, fiscal, telefônico’. Aí ele [ Flávio Bolsonaro] apresentou 19 exigências, apresenta 20 exigências, é que não quer abrir sigilo nenhum”, declarou Alckmin.
‘Desafio dos sigilos’: veja as diferenças das manifestações de Lula e Flávio sobre divulgação de dados
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) durante passagem por São Carlos nesta quinta-feira (22)
João Victor Neo/EPTV
Entenda a discussão
A discussão sobre a abertura dos sigilos começou durante o debate presidencial da Band, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio Bolsonaro a divulgar seus dados privados.
Na terça-feira (20), o presidente formalizou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a autorização para divulgar informações dele e de familiares referentes aos últimos oito anos, condicionada a uma medida equivalente do adversário. O senador fez uma contraproposta impondo novas exigências.
Na manifestação enviada ao TSE, Flávio afirmou que até aceita abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, além de dados de seus familiares e de empresas de sua propriedade.
Na quarta, coordenadores da campanha do presidente Lula afirmaram que o petista não se opõe às condições colocadas pelo seu adversário para autorizar a quebra de sigilos.
Além disso, afirmaram que a campanha vai ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22) protocolar a resposta ao senador Flávio Bolsonaro.
A defesa do candidato do PL, porém, classificou a iniciativa inicial de Lula como uma “promessa vazia” e um “factóide”. Segundo os advogados, a proposta limitava a divulgação dos dados aos últimos oito anos e não contemplava possíveis irregularidades envolvendo terceiros.
Geraldo Alckmin durante visita à Santa Casa de São Carlos nesta quinta-feira (22)
João Victor Neo/EPTV
Críticas à postura do candidato
Em São Carlos, Alckmin voltou a criticar o senador do PL e disse que ele não respondeu os pontos levantados durante o debate realizado na Band no último domingo (18), além de ser desrespeitoso.
“O debate é um ponto alto da campanha porque ele é mais verdadeiro, né? Ele não é produzido, ele é mais espontâneo, mais verdadeiro e deve ser sempre um instrumento para esclarecer o eleitorado, para tirar dúvidas, para prestar contas. E lamentavelmente a gente viu que no caso do Bolsonaro foi um candidato desrespeitoso, não respondeu nada”, afirmou.
As condições impostas por Flávio
Em resposta a ‘desafio’ de Lula, Flávio impõe condições ao petista para liberar sigilos
Em resposta ao desafio de quebras de sigilo lançado nesta semana pelo presidente Lula, Flávio condicionou o levantamento de dados a exigências que abrangem tanto o período em que Lula exerceu mandatos anteriores quanto a atual gestão federal.
Entre as principais exigências feitas pela campanha de Flávio Bolsonaro estão:
Sigilos de assessores próximos: apresentação de termos de autorização de quebra de sigilo de assessores, como Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”, ex-chefe de gabinete.
Empresas de familiares e sócios: abertura de contas e sigilos de empresas ligadas a familiares do presidente, incluindo sociedades do filho Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, negócios recentes no exterior, empresas de outros filhos, além do Instituto Lula e da empresa L.I.L.S. Palestras desde o ano de 2003.
Caso Master: divulgação integral de registros de visitantes no Palácio do Planalto e detalhes da reunião mantida entre Lula e Daniel Vorcaro em dezembro de 2024.
INSS: esclarecimentos sobre as relações do governo com a lobista Roberta Luchsinger, registros de suas entradas em palácios presidenciais e voos na Força Aérea Brasileira (FAB), e a quebra de sigilo do sindicalista Frei Chico, irmão de Lula.
Cartão corporativo: abertura de todos os gastos do cartão corporativo da Presidência da República desde janeiro de 2023, e de agendas institucionais da primeira-dama, Janja, desde o primeiro ano de mandato.
O ‘desafio’ de Lula
Em um documento protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato do PT à reeleição afirma que autoriza a liberação de seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico relativos aos últimos 8 anos, e também os de seus parentes, desde que o seu adversário na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), faça o mesmo.
De acordo com a petição apresentada pela defesa de Lula ao TSE, a liberação e a ampla divulgação dos dados – seja por meio do sistema Divulga CandContas da Corte Eleitoral, ou de outro site de acesso público – vão abranger os seguintes familiares de Lula:
Rosângela Lula da Silva, a Janja, esposa do presidente;
Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha;
Marcos Cláudio Lula da Silva, filho;
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho que é alvo de investigações da PF;
Sandro Luís Lula da Silva, filho;
Luís Claudio Lula da Silva, filho.
Lula condiciona a liberação dos seus sigilos e os de parentes à autorização, por Flávio Bolsonaro, da divulgação dos sigilos dele e dos seguintes familiares:
Jair Bolsonaro, pai;
Rogéria Bolsonaro, mãe;
Carlos Bolsonaro, irmão;
Eduardo Bolsonaro, irmão;
Jair Renan Bolsonaro, irmão;
Fernanda Bolsonaro, esposa.
E também das seguintes empresas ligadas ao candidato do PL:
Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia;
All In One Corretora de Seguros Ltda;
Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda.;
Bolsonaro Digital Ltda.;
Alcazar Holdings, empresa de propriedade de Willer Tomaz, que tem uma conta em que Flávio foi cadastrado como “usuário master”.
Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Um deles, sobre lavagem de dinheiro, investiga a relação do candidato do PL com o advogado Willer Tomaz.
O outro inquérito trata do financiamento de “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Essa investigação apura negociações envolvendo recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme.
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) durante o horário eleitoral gratuito dessa quarta-feira (21).
Reprodução
Interferência da Meta
A campanha de Lula afirmou que segue preocupada com a atuação da Meta durante o período eleitoral mesmo após a reunião de terca-feira (20) no TSE com a empresa.
Segundo a coordenação, a ala jurídica da campanha vai entrar ainda nesta quarta-feira (21) com representações na Justiça Eleitoral contra a Meta.
“A Meta é motivo de grande preocupação para gente e para o mundo democrático. Não vamos aceitar esse tipo de interferência, esse tipo de coisa” afirmou Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação (Secom).
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Fonte: G1











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