O dólar encerrou a quarta-feira (22) no menor nível de fechamento desde 2 de junho. A valorização do petróleo, o fluxo de capital estrangeiro e o apetite de investidores pelos juros altos no Brasil impulsionaram a queda da cotação. Este movimento também favoreceu a Bolsa brasileira, que avançou mais de 2% e voltou a superar os 177 mil pontos, num dia em que o petróleo subiu mais de 3%, impulsionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Dólar e o Cenário Econômico
A moeda americana à vista registrou uma queda de 0,42%, fechando a R$ 5,053, o menor valor desde 2 de junho, e acumulando a terceira sessão consecutiva de baixa. A entrada de recursos estrangeiros no mercado brasileiro foi um fator chave, beneficiada pela atrativa diferença entre os juros domésticos e os dos Estados Unidos, além da valorização do petróleo. Embora tenha operado em alta no início do dia, o dólar reverteu o movimento após a abertura do mercado de ações, alinhando-se ao forte desempenho da bolsa e de outras moedas de países emergentes. A alta do petróleo, com o barril se aproximando dos US$ 95, melhora as perspectivas para a balança comercial brasileira, dado que o país é exportador líquido da commodity. Mesmo com a entrada em vigor de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, o impacto no câmbio foi limitado, já que o mercado já havia precificado esses fatores. Dados do Banco Central indicaram um fluxo cambial total positivo de US$ 17,946 bilhões acumulados até julho de 2026, refletindo uma melhora significativa no fluxo financeiro.
Desempenho Robusto da Bolsa Brasileira
O Ibovespa encerrou o pregão com alta de 2,44%, alcançando 177.547,57 pontos, o maior patamar desde o dia 10 e encerrando uma sequência de cinco sessões de queda. O avanço foi impulsionado principalmente por ações de mineradoras, petroleiras e bancos. As ações da Petrobras, que são as mais negociadas, acompanharam a forte valorização do petróleo no mercado internacional, com os papéis ordinários subindo 2,39% e os preferenciais avançando 2,21%. Analistas indicam que o mercado brasileiro também foi favorecido pelo retorno do fluxo estrangeiro, atraído por ativos considerados mais baratos em comparação com as bolsas americanas, mesmo em um dia em que os principais índices de Nova York fecharam em queda.
Cotações do Petróleo e Tensões Geopolíticas
Os contratos futuros do petróleo registraram alta pela quarta sessão consecutiva, sustentados pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelas preocupações com possíveis interrupções no transporte marítimo no Oriente Médio. O barril do tipo Brent para setembro, referência global, valorizou 3,36%, para US$ 94,07. Já o barril do WTI, do Texas, subiu 2,95%, fechando a US$ 86,83. O mercado permanece atento aos riscos de bloqueios nos estreitos de Ormuz e de Bab-el-Mandeb, rotas estratégicas para o comércio global de petróleo. Ameaças do grupo Houthi, no Iêmen, e novas declarações de autoridades iranianas intensificaram os temores sobre a oferta da commodity, apesar do aumento nos estoques de petróleo dos EUA, divulgado acima do esperado na última semana.












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