O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado, apresentado pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE), propõe a decretação de intervenção federal no estado do Rio de Janeiro, focada na segurança pública. A medida visa enfrentar a crise fluminense, que o senador descreve como um comprometimento estrutural da soberania estatal e uma infiltração sistêmica do crime organizado nas instituições públicas.
Crise da Segurança e Justificativa para a Intervenção
Alessandro Vieira argumenta que a situação do Rio de Janeiro ultrapassa um problema ordinário de segurança, exigindo uma resposta de magnitude federal devido à incapacidade do estado de conduzir, com autonomia e idoneidade, as ações de enfrentamento necessárias. A infiltração criminosa no Poder Público local e a atuação de facções comprometem gravemente a governança.
A intervenção federal, se aprovada pela Presidência da República e pelo Congresso Nacional, teria caráter de recomendação e seria limitada ao setor de segurança pública. O relatório destaca a singularidade do Rio de Janeiro, o único estado a concentrar três importantes facções criminosas originadas do sistema prisional — Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro — além das milícias armadas, que passaram a explorar também o tráfico de drogas.
Impacto e Desafios do Crime Organizado
O senador enfatiza que milhões de brasileiros vivem sob o domínio dessas organizações, com seus direitos mais elementares, como vida, propriedade, liberdade e acesso a serviços públicos, violados. A complexidade dessa configuração criminal, com a dupla dimensão de facções e milícias, é considerada sem paralelo no país, demandando uma resposta estatal correspondente.
Vieira ainda criticou a intervenção federal de 2018, no governo de Michel Temer, avaliando que seus resultados foram limitados devido à falta de ações integradas em áreas como políticas sociais, urbanização e combate à lavagem de dinheiro, além do prazo excessivamente curto que impediu a consolidação das ações. O quadro atual preencheria os requisitos para uma nova intervenção federal no estado.
Pedidos de Indiciamento de Autoridades
Além da recomendação de intervenção no Rio de Janeiro, o relatório da CPI do Crime Organizado no Senado também solicitou o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, bem como do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Os pedidos estão relacionados ao caso do Banco Master, onde Vieira aponta indícios de crimes de responsabilidade por “proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa” e “proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”.











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