A tradicional celebração de Corpus Christi no Centro do Rio de Janeiro mobilizou fiéis na confecção de tapetes decorativos, mesmo com a chuva que caiu na madrugada desta quinta-feira. Considerada uma das festas mais importantes do calendário litúrgico da Igreja Católica, o evento demonstrou a resiliência e a fé dos participantes, que esperaram por um clima mais ameno para iniciar a montagem dos coloridos tapetes sobre o asfalto.
A Tradição e a Escala da Celebração
Os tapetes de Corpus Christi são confeccionados com uma variedade de materiais, incluindo serragem, borra de café, arroz e, principalmente, sal grosso, que é tingido com corantes para criar desenhos elaborados. Neste ano, a Avenida Chile, em frente à Catedral Metropolitana de São Sebastião, no centro do Rio, abrigou 100 tapetes em uma extensão de 300 metros, uma marca que remete ao centenário da Obra de Adoração Perpétua.
O tema da celebração para 2026, '100ª Semana Eucarística Eucaristia, unidade e missão – ‘Embora sendo muitos, formamos um só corpo’', reflete a relevância histórica e espiritual do evento, unindo a comunidade em um propósito comum de fé e testemunho.
Participação Inédita: O Instituto Marielle Franco
Uma novidade marcante foi a primeira participação do Instituto Marielle Franco na confecção dos tapetes. O grupo produziu um tapete com um girassol que emergia da silhueta da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, ao lado de seu motorista Anderson Gomes. A iniciativa representa um elo entre a tradição religiosa e a memória de luta por justiça social.
Marinete da Silva, mãe de Marielle, destacou a importância de sua participação, que atendeu a um convite do cardeal do Rio, Dom Orani Tempesta. Marinete, vinda de uma família católica, expressou que a presença do Instituto, com o apoio de seu marido Antônio e jovens da Paróquia de Santa Rita, representa o 'Cristo vivo nas ruas' e uma forma de sua fé os manter, em um ano que marca 10 anos da eleição da vereadora.
Engajamento Comunitário e Testemunho de Fé
Além do Instituto Marielle Franco, diversas comunidades e instituições participaram. A Escola Dom Cipriano Chagas, que atende 200 crianças de áreas de vulnerabilidade social, confeccionou um tapete com o tema 'Um só coração, unidos na providência'. A gestora Ana Gabriela Malta ressaltou o 'muito amor envolvido' e o trabalho em equipe que permitiu a finalização do tapete, apesar das adversidades climáticas.
O jovem Rodrigo Lopes, de 12 anos, coroinha da Paróquia Nossa Senhora das Dores, no Rio Comprido, vivenciou a experiência pela primeira vez. Ele se mostrou entusiasmado com os detalhes da confecção, aproveitando suas habilidades de desenhista para contribuir com o grupo de sua paróquia.
Cônego Claudio dos Santos, pároco da Catedral Metropolitana de São Sebastião, enfatizou que a confecção dos tapetes é um testemunho singular da fé católica. Ele destacou que, assim como não há dois tapetes iguais, Deus vê cada fiel como único, utilizando a diversidade individual para manifestar sua presença no mundo.











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