A Comissão Internacional Independente de Investigação da Organização das Nações Unidas divulgou um relatório nesta segunda-feira, 26, acusando Israel de cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade, como extermínio, perseguição, tortura, estupro e outras formas de violência sexual contra os palestinos na Cisjordânia. Além disso, a comissão manteve suas acusações de genocídio em Gaza.
O grupo, que não fala em nome da própria ONU, classificou pela primeira vez em setembro de 2025 os ataques de Israel à população na Faixa de Gaza como “genocídio”. Israel rejeita a acusação e o embaixador israelense em Genebra considerou o relatório como parte de uma “campanha de desinformação da comissão para demonizar o Estado de Israel e apresentar sua própria existência como criminosa”.
O novo documento, apresentado à Assembleia Geral da ONU, se concentra em assassinatos e danos físicos e psicológicos causados por agentes do Estado nos territórios ocupados. A equipe de especialistas constata que a situação nos territórios palestinos piorou gravemente desde 7 de outubro de 2023, dia dos ataques do grupo militante palestino Hamas a Israel, que desencadearam a guerra atual.
O relatório afirma que os palestinos na Cisjordânia estão sendo atacados devido a sua “nacionalidade, raça e etnia, gênero e idade” e reforça que autoridades e forças de segurança israelenses continuam a cometer atos genocidas mesmo após o acordo de cessar-fogo.
“O assassinato e ferimento intencionais de civis palestinos e a destruição de casas na Cisjordânia, combinados com a persistente negação de responsabilidade por parte de Israel, fazem parte de uma estratégia mais ampla para exterminar e deslocar palestinos e impor condições de vida insuportáveis”, disse Srinivasan Muralidhar, presidente da comissão.
De acordo com a equipe investigadora, os ataques contra civis palestinos nesse território são “produto de uma política de Estado” na qual as autoridades contam com “a violência dos colonos”. Para eles, Israel deve “pôr fim imediatamente à ocupação ilegal do território palestino” e retirar todos os colonos e assentamentos.
O documento também diz que a Autoridade Palestina comete “violência estatal”, que tem como alvo palestinos que expressam opiniões divergentes. Segundo os autores do relatório, jornalistas e defensores dos direitos humanos foram mortos e feridos durante esses três anos de guerra, resultando em um espaço cívico cada vez menor.
“Apesar do aumento do uso desnecessário ou desproporcional da força desde 7 de outubro de 2023, a Autoridade Palestina não conseguiu conduzir investigações eficazes e imparciais sobre os incidentes de assassinatos e garantir uma reparação efetiva, incluindo compensação financeira para as vítimas e seus familiares”, destacou Muralidhar.
Os ataques de 7 de outubro deixaram cerca de 1.200 mortos em Israel, segundo autoridades do país, e mais de 250 reféns.
Desde o início do acordo de cessar-fogo, anunciado em outubro de 2025, 1.462 palestinos foram mortos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, que não distingue civis de combatentes. Ao todo, a pasta contabiliza mais de 74.200 mortos no território desde o início da guerra. As Nações Unidas utilizam os dados do ministério como referência para acompanhar o número de vítimas.
Fonte: Abril











/https://s02.video.glbimg.com/x720/14686805.jpg)







