A Organização Mundial da Saúde (OMS) contabiliza quase 600 casos suspeitos e 139 mortes suspeitas por ebola em surtos registrados na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda.
Oficialmente, 51 casos foram confirmados em duas províncias ao norte da RDC, embora a própria OMS admita ter ciência de que a escala do surto na região é muito maior do que os números apontam.
Em Uganda, dois casos foram confirmados na capital Kampala, ambos em pessoas que haviam passado pela República Democrática do Congo. Um dos pacientes morreu pela doença e o outro, um norte-americano, foi transferido para a Alemanha.
Preocupações e Fatores de Risco
Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (20), o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que vários fatores preocupam a entidade e podem fazer com que o número de casos e mortes por ebola aumente na região.
Ele afirmou: “Além dos casos confirmados, há quase 600 casos suspeitos e 139 mortes suspeitas. Esperamos que esses números continuem aumentando, considerando o tempo em que o vírus circulou antes que o surto fosse detectado.”
Tedros destacou a presença de casos reportados em diversas áreas urbanas, sobretudo na RDC, e entre profissionais de saúde. Outro fator relevante é o movimento significativo de pessoas na região.
Ainda segundo o diretor-geral, “A província de Ituri [na RDC] não é segura. Os conflitos se intensificaram desde o final de 2025, com uma escalada significativa ao longo dos últimos dois meses, com quase 100 mil pessoas se deslocando.”
Por fim, o diretor-geral ressaltou que ambos os surtos são causados pelo vírus Bundibugyo, um tipo de ebola para o qual ainda não há vacina ou tratamento aprovados. Ele concluiu: “A OMS tem uma equipe no terreno apoiando as autoridades nacionais na resposta à crise. Deslocamos pessoal, suprimentos, equipamentos e recursos financeiros”.
Origem e Declaração dos Surtos
No início do mês, autoridades sanitárias da República Democrática do Congo (RDC) emitiram um alerta sobre um surto de alta mortalidade causado por uma doença até então desconhecida no município de Mongbwalu, na província de Ituri, onde foram registradas mortes inclusive entre profissionais de saúde.
Cerca de dez dias depois, o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa, capital da RDC, analisou 13 amostras de sangue colhidas no distrito de Rwampara, confirmando a presença do vírus Bundibugyo em oito delas.
Na última sexta-feira (15), o Ministério da Saúde Pública, Higiene e Bem-Estar Social da RDC declarou oficialmente o 17º surto de ebola no país.
Simultaneamente, o Ministério da Saúde de Uganda, país vizinho, confirmou um surto de ebola, também causado pelo vírus Bundibugyo, após identificar um caso importado de um congolês que morreu na capital, Kampala.
No dia seguinte, o diretor-geral da OMS, após consultar ambos os Estados-Membros afetados, determinou que o ebola causado pelo vírus Bundibugyo na RDC e em Uganda constitui uma emergência em saúde pública de importância internacional.











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