Os mercados financeiros brasileiros registraram movimentos significativos nesta quarta-feira (29), com o dólar em queda e a bolsa em recuo, enquanto o petróleo experimentou uma forte valorização. O cenário foi majoritariamente influenciado pela decisão do Federal Reserve (Fed) de manter as taxas de juros nos Estados Unidos e por tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Decisão do Fed e Impacto no Câmbio
O Banco Central estadunidense manteve sua taxa de juros entre 3,50% e 3,75%, o que levou o dólar à vista a fechar em R$ 5,108, com uma queda de 0,27%. A reação do mercado foi moldada pelo tom percebido como mais moderado do presidente da instituição, Kevin Warsh, e pela divisão interna entre os dirigentes da autoridade monetária. Embora Warsh tenha reafirmado o compromisso com a meta de inflação de 2%, a menção a sinais positivos para o comportamento dos preços foi interpretada como um discurso menos rigoroso.
A manutenção dos juros, conforme esperado por parte do mercado, fez o dólar perder força globalmente. No contexto doméstico, o câmbio foi favorecido por operações de carry trade, impulsionadas pela diferença de juros entre Brasil e EUA. A valorização do petróleo, produto do qual o Brasil é exportador, também contribuiu positivamente para o fluxo de recursos. Dados nacionais, como o resultado do Caged e o superávit da balança comercial, tiveram um impacto secundário neste pregão.
Desempenho da Bolsa Brasileira
O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o dia em queda de 1,52%, atingindo 173.885 pontos. A pressão sobre o índice foi notável, principalmente sobre as ações de bancos. O ambiente externo contribuiu para o pessimismo, pois a divisão entre os membros do Fed sobre a política monetária futura gerou incertezas, e o aumento das tensões geopolíticas elevou a aversão ao risco nos mercados globais. Em Nova York, o S&P 500 também registrou uma queda de 1,55%.
Apesar da baixa geral, as ações da Petrobras amenizaram parte das perdas do Ibovespa, acompanhando a forte alta das cotações internacionais do petróleo. Os papéis ordinários da estatal valorizaram 2,35%, enquanto os preferenciais registraram alta de 1,92%.
Petróleo Dispara com Aumento de Tensões Geopolíticas
O mercado de petróleo reverteu sua sequência de quedas, com o barril do tipo Brent para outubro subindo 7,32% para US$ 88,09 e o WTI para setembro avançando 6,56% para US$ 84,46. Este aumento foi impulsionado pela intensificação dos confrontos entre Estados Unidos e grupos apoiados pelo Irã no Oriente Médio. Declarações sobre uma possível resposta militar e o risco de escalada do conflito em uma região crucial para a produção global de petróleo reforçaram essa valorização.
Adicionalmente, a queda dos estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos, que superou as expectativas do mercado, também forneceu um impulso positivo para os preços da commodity.









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