
Seca deixa 41 cidades do Amazonas em emergência
O Amazonas enfrenta os efeitos das queimadas e também da seca; 41 cidades decretaram emergência pela estiagem.
Em um dos principais pontos de ancoragem de embarcações de Parintins, no interior do estado, um braço do Rio Amazonas secou antes do esperado. Desde o fim de setembro, só é possível acessar a região a pé. Quem trabalha oferecendo travessia sente o impacto da seca.
“A nossa renda é aqui. Então, se não tiver canoa, não tiver barco para vigiar, onde vai entrar o dinheiro? Ano passado, em novembro, ainda tinha água aqui. Bem pouco, mas ainda tinha água. Outubro, e já está assim, nesse estado”, conta a autônoma Debora Valente.
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Parintins está entre os 41 municípios que decretaram emergência com a estiagem. Outras 16 cidades estão em alerta. Mais de 102 mil famílias foram afetadas pela seca.
Estiagem prolongada no Amazonas faz mais de 40 cidades decretarem situação de emergência
Jornal Nacional/ Reprodução
Em Manaus, na orla da cidade, as embarcações que transportam mercadorias e passageiros para o interior estão longe da margem. O Rio Negro está com 17,12 m – 2,79 m abaixo da marca registrada no mesmo período de 2025.
Em um bairro banhado por lagos, a água que geralmente chega perto das árvores está recuando dia a dia. Com o canal mais estreito, apenas pequenas embarcações ainda conseguem passar. Este é o principal acesso a 30 comunidades ribeirinhas. Abel Aparecido, presidente da comunidade Santa Luzia, vive na região. Ele explica que os moradores dependem do rio para tudo:
“Tem mais de 3 mil pessoas aqui dentro que acabam ficando isoladas, com grande dificuldade de ajuda humanitária, de água”.
A Defesa Civil do Amazonas informou que faz entregas contínuas de suprimentos à comunidades vulneráveis. A superintendente regional do Serviço Geológico Brasileiro explica que o fenômeno El Niño deve prolongar a redução dos rios:
“Há um processo de vazante ainda em andamento e com tendência a continuar nas próximas semanas. A região como um todo está sendo afetada pelo fenômeno climático do El Niño e que, neste ano, tem uma característica de se estender um pouco mais, por exemplo, até o início de novembro”, afirma Jussara Cury, superintendente regional do Serviço Geológico Brasileiro.
Além da vazante, só em outubro, o Amazonas registrou mais de 1,9 mil focos de queimadas. Já são 13 dias de fumaça sobre Manaus e cidades da Região Metropolitana. Nesta terça-feira (20), a base da Força Nacional do SUS iniciou as atividades de apoio a emergências na capital. O número de presos suspeitos de colocar fogo em regiões de mata subiu para 16.
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Fonte: G1










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