A cantora Selena Gomez fez um alerta sobre os efeitos do uso do cigarro eletrônico com nicotina, o chamado vape. Nos últimos anos, a voz da artista ficou mais grave e rouca, o que motivou uma série de vídeos nas redes sociais especulando sobre as mudanças. “Não vou conseguir mudar minha voz”, disse ela em publicação feita no domingo, 18, assumindo que “usava muito cigarro eletrônico com nicotina”.
Com visual moderno e sabores variados, que vão do morango ao creme brulée, a maioria dos cigarros eletrônicos contém nicotina, uma substância que afeta diretamente as cordas vocais, assim como os demais componentes do produto, que, no Brasil, é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A fumaça quente e as substâncias tóxicas do cigarro agridem a laringe, causando inflamação e ressecamento. “Os cigarros eletrônicos são mais recentes, mas há muito tempo já se sabe que o tabagismo, principalmente associado à nicotina, pode ocasionar uma inflamação em toda a laringe, sobretudo nas pregas vocais”, esclarece a otorrinolaringologista Maria Dantas Godoy, do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo -IAMSPE.
Além de nicotina, os vapes contêm solventes, aromatizantes químicos e, em alguns casos, traços de metais pesados. Muitos também utilizam o chamado “sal de nicotina”, uma forma quimicamente modificada da nicotina, desenvolvida para ser absorvida mais rapidamente e em concentrações mais altas pelo organismo.
Esse “pacote” de agentes nocivos, segundo Godoy, pode favorecer a formação do chamado Edema de Reinke, uma alteração crônica da laringe caracterizada pelo acúmulo de líquido gelatinoso ou muco na camada superficial das pregas vocais.
Comum em pessoas com histórico de tabagismo de longa data, a condição causa rouquidão e pode deixar a voz visivelmente mais grave. “O uso de cigarros eletrônicos também pode causar ressecamento, fadiga, cansaço e dificuldade de projeção da voz”, acrescenta a médica.
Pesquisa sugere relação entre cigarro eletrônico e problemas vocais
Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) mostrou que o interesse por “vape” no Google Trends entre 2014 e 2024 chegou ao nível máximo da escala da plataforma — 100 pontos —, enquanto “rouquidão” alcançou um pico de 22 pontos.
Ao longo do período analisado, as médias foram de 25,9 e 3,87 pontos, respectivamente. Os dados também apontam que, sempre que a procura por “vape” aumenta, a de “rouquidão” tende a subir junto.
Os resultados foram publicados na revista Audiology – Communication Research, o estudo foi motivado pela própria experiência clínica dos pesquisadores: eles estavam recebendo queixas frequentes de alterações na voz entre usuários de cigarros eletrônicos.
Ainda na região da boca, um estudo realizado no Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (ICT-Unesp) também constatou que os vapes alteram a composição da saliva dos usuários, aumentando o risco de doenças bucais, como cáries, lesões da mucosa e doença periodontal.
No geral, o uso do cigarro eletrônico pode gerar lesões agudas nos pulmões e está associado a doenças e riscos similares aos do cigarro comum, como asma, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) e enfisema pulmonar. Também pode causar alterações nos vasos sanguíneos, aumentando o risco cardiovascular.
Além disso, seus compostos possuem substâncias cancerígenas. “Muitos pacientes acham que o cigarro eletrônico é menos danoso do que o cigarro habitual, mas isso não é verdade”, alerta Godoy. “Não podemos subestimar os riscos dos vapes”. A própria Selena Gomez também deixou um conselho aos seguidores: “É muito difícil largar a nicotina, e acho que só queria dizer: se você está passando por isso, ou até mesmo pensando em começar a usar cigarro eletrônico, simplesmente não vale a pena. É uma grande bobagem, e isso mudou a minha voz.”
Fonte: Abril











/https://s02.video.glbimg.com/x720/14686805.jpg)

/https://s04.video.glbimg.com/x720/992055.jpg)








