O triângulo amoroso gay na novela Quem Ama Cuida (da TV Globo) envolve os personagens Mau Mau (Maurício, vivido por João Victor Gonçalves), Felipe (Pietro Antonelli) e Fernando (Pedro Alves). Os dois primeiros enfim selaram um beijo no capítulo que foi ao ar na sexta-feira, 30.
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Para quem não acompanha a trama com afinco, aí vai: o primeiro é o irmão de Adriana (Letícia Colin), quem está descobrindo e assumindo sua sexualidade na trama, enfrentando a reprovação do avô homofóbico Otoniel (Tony Ramos). O rapaz é disputado pelos outros dois: Fernando, neto da governanta Diná (Rosi Campos), e Felipe, filho de Fábia (Flávia Alessandra).
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A história da rainha de rodeio que vive trisal com irmã gêmea e agricultor
A trama aborda o dilema de Mau Mau dividido entre o sentimento por Felipe e a proximidade com Fernando, marcando espaço para a representação de um triângulo amoroso entre três homens no horário nobre. Seria um avanço e tanto se os autores Walcyr Carrasco e Claudia Souto abordassem a quebra da heteronormatividade na relação dos rapazes, possibilitando uma nova forma de relacionamento que vem se propagando: o trisal (formado por três pessoas) ou ainda o poliamor.
O papel da novela no Brasil, pelo seu imenso alcance e popularidade construídos por décadas, sempre esteve atrelado a questões que vão além do puro entretenimento; mas também o de pautar comportamentos sociais refletindo em informação. A novela é um importante meio de quebra de estigmas, ao se antecipar a debates no nível nacional. Divórcio, emancipação feminina, uso da pílula anticoncepcional, doação de órgãos, efeito do uso de drogas e bebidas em geral, combate à violência contra idosos, entre outros tantos temas, surgiram nas novelas em explicação didática que, muitas vezes, a sala de aula não seria tão eficaz de orientar de forma tão clara uma audiência interessada pelo debate do “desconhecido”.
Mas a julgar pela demora que foi sair o tal beijo gay entre Mau Mau e Felipe, prova-se que a emissora ainda não está preparada (como esteve em outros tempos) para tamanho passo dessa temática na sua teledramaturgia. O romance dos rapazes, convenhamos, de tanta água com açúcar, parece digno de Malhação, e não de uma novela das 9. A aceitação e formação de um romance gay entre jovens é assunto deveras batido. Há muito mais a se explorar nesse campo da sopa de letras da diversidade, se o medo da audiência assim não perdurar.
Fonte: Abril
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