Os Estados Unidos implementaram uma nova taxação de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, alegando práticas comerciais desleais do Brasil. Além disso, uma sobretaxa adicional de 12,5% é esperada, sob a justificativa de que o Brasil não impede a importação de produtos originários de países que utilizam trabalho forçado. Especialistas e o próprio governo brasileiro discordam veementemente das acusações, afirmando que o país é uma referência global no combate ao trabalho análogo à escravidão.
Novas Taxações e Alegações Americanas
A tarifa de 25%, anunciada no dia 15 e implementada em 22 de novembro, é justificada por Washington com base em alegações de falhas do Brasil no combate ao desmatamento, à corrupção e ao uso do Pix para prejudicar empresas americanas. O governo brasileiro rejeita essas acusações e cogita aplicar a Lei de Reciprocidade em resposta à medida, classificada como "injusta".
Uma punição adicional de 12,5% é esperada, podendo ser publicada até 24 de novembro. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, alertou sobre o risco de uma alíquota cumulativa de 37,5% sobre os produtos brasileiros.
Justificativa sobre Trabalho Forçado
A provável nova taxação se fundamenta em um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que investigou 59 países e a União Europeia. O documento acusa essas economias de "falhar em impor uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado", contestando a eficácia dos acordos internacionais brasileiros para coibir tais importações.
Reação do Brasil e Reconhecimento Internacional
Em resposta à investigação do USTR, o Brasil forneceu informações técnicas detalhando seu arcabouço legal para coibir a importação de bens produzidos por trabalho forçado. O governo brasileiro manifestou "profunda discordância" da conclusão preliminar americana, classificando a medida como "protecionista" e lamentável, desvirtuando um tema tão relevante como a proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores.
O Brasil enfatiza que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece há décadas o país como uma "referência internacional no combate ao trabalho forçado", graças a uma combinação de fiscalização, responsabilização, cooperação institucional e compromisso político. O Decreto 12.857 formaliza a adesão do Brasil à Convenção nº 29 da OIT, da qual os Estados Unidos não são signatários.
Perspectiva de Especialistas e Base Legal
O professor de direito internacional Thiago Romero, do Ibmec-SP, destaca a diferença jurídica entre combater o trabalho forçado dentro do próprio território e barrar, na alfândega, produtos importados fabricados sob essa condição em outro país. O Brasil sustenta que suas autoridades aduaneiras possuem competência legal para negar a entrada e confiscar mercadorias estrangeiras que sejam contrárias à moral pública, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, incluindo bens produzidos com trabalho forçado.











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