A 4ª Parada LGBTQIA+ da Lapa, no Rio de Janeiro, celebrou o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ neste domingo (28) sob o lema "Nosso Orgulho Também se Defende nas Urnas". O evento teve como principal objetivo a mobilização social para fortalecer a comunidade e enfrentar as violências históricas, além de defender a eleição de mais representantes LGBTQIA+ no Congresso Nacional.
O Chamado por Representação Política
Durante a manifestação, um manifesto foi preparado para incentivar a presença de mais membros da população LGBT no Legislativo brasileiro. Essa iniciativa visa garantir que as demandas e necessidades específicas da comunidade sejam efetivamente articuladas e defendidas no âmbito federal, buscando a criação de leis que assegurem direitos plenos e combatam a discriminação.
Vozes da Comunidade
Indianarae Siqueira, fundadora da Casa Nem, sublinhou a urgência de eleger parlamentares que compreendam as pautas da comunidade e sejam comprometidos com a democracia e os direitos sociais. Ela enfatizou a luta por uma vida digna para a classe trabalhadora, incluindo as pessoas LGBTQIA+ em empregos precarizados, defendendo o fim da escala 6×1 e um salário mínimo justo de R$ 2 mil, além de reivindicar empregabilidade trans, educação e saúde pública de qualidade, e acesso universal a direitos básicos. Siqueira ressaltou o poder político do voto, afirmando: "Nossos corpos são políticos, nosso voto é resistência".
Marcio Villard, coordenador do Grupo Pela Vidda do Rio de Janeiro, apontou a ausência de leis específicas para os direitos LGBTQIA+ aprovadas pelo Legislativo, destacando que as garantias atuais dependem de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele criticou a ineficácia prática da equiparação da LGGBTfobia ao crime de racismo e alertou sobre o aumento anual de assassinatos e violências contra pessoas LGBT, frequentemente subnotificados. Villard também mencionou retrocessos recentes, como a tentativa de proibir terapias hormonais antes dos 21 anos e restrições às paradas em vias públicas.
Enfrentamento à Violência e Retrocessos
Os coletivos que organizaram o evento exigem segurança para mulheres, pessoas negras, periféricas e LGBTQIA+, para que sejam vistas como cidadãs a serem protegidas, e não como problemas de segurança ou réus, devido à histórica criminalização e vitimização desses grupos. Além da falta de legislação protetiva, a comunidade tem enfrentado tentativas de retrocessos em direitos já reconhecidos, com medidas que buscam cercear a liberdade e a autonomia de pessoas trans e a visibilidade de eventos como as paradas.
Mobilização e Atividades Complementares
A organização da 4ª Parada LGBTQIA+ contou com a colaboração de diversos movimentos sociais e coletivos, como CasaNem, Grupo Transrevolução, Fórum Estadual de Travestis e Transexuais do Rio de Janeiro, e o Coletivo LGBTI+ do Movimento Negro Unificado. O evento incluiu atividades como um festival de pipas e um piquenique do Orgulho, Amor e Direitos, além da oferta de testes rápidos de HIV e ISTs, distribuição de preservativos e gel lubrificante, e uma feira com a participação de 30 empreendedores locais.










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