DOUGLAS GAVRAS E DANIELA ARCANJO
O regime chavista anunciou nesta quinta-feira (8) que irá libertar presos políticos na Venezuela, incluindo estrangeiros. O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da líder interina, Delcy Rodríguez.
Posteriormente, o Palácio da Moncloa confirmou a liberação de cinco espanhóis, um com dupla nacionalidade, que agora se preparam para viajar ao país europeu.
“O governo espanhol expressa suas condolências a esses cidadãos, suas famílias e amigos. O Ministro das Relações Exteriores, da União Europeia e da Cooperação, José Manuel Albares, conversou pessoalmente com todos eles”, disse o governo espanhol em nota, sem citar nomes. “A Espanha, que mantém relações fraternas com o povo venezuelano, acolhe esta decisão como um passo positivo nesta nova fase para a Venezuela.”
De acordo com o jornal espanhol El País, uma das libertadas é a renomada ativista Rocío San Miguel, presa em fevereiro de 2024 no Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, quando tentava deixar o país. Especializada em questões militares, ela foi acusada pelo regime da Venezuela de traição à pátria, terrorismo e conspiração.
Outro libertado, ainda de acordo com o meio de comunicação espanhol, seria o ex-candidato à Presidência da Venezuela Enrique Márquez, detido após se recusar a reconhecer o resultado oficial das eleições de 2025, que deram um terceiro mandato ao ditador Nicolás Maduro apesar de diversas evidências de fraude.
Ao anunciar a libertação dos presos, Rodríguez afirmou que, “para a convivência pacífica, o governo bolivariano, junto com as instituições do Estado, decidiu liberar um número significativo de venezuelanos e estrangeiros”.
“É um gesto unilateral de paz e não foi acordado com nenhuma outra parte”, disse ele. Sem dar detalhes sobre a identidade dos presos, ele acrescentou que “esses processos de liberação estão acontecendo a partir deste exato momento.”
Aos jornalistas que acompanhavam o discurso, Rodríguez apenas disse, em seguida, que a libertação dos presos ocorreria “em algumas horas”.
O líder do Parlamento disse ainda que “queria aproveitar para agradecer aos que sempre estiveram ao lado da Venezuela para defender o direito a uma vida plena, autodeterminação e paz”, citando o político espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, o presidente Lula (PT) e o Qatar, “que responderam prontamente ao apelo” da líder interina, disse Rodríguez.
O parlamentar também afirmou que a pressão do governo de Donald Trump por petróleo venezuelano é algo que faz parte de acordos entre dois governos soberanos que fazem negócios há mais de cem anos anos.
São as primeiras libertações sob Delcy Rodríguez, que assumiu após a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar dos EUA, no sábado (3). Ambos estão presos em Nova York.
A ONG Foro Penal estima em 806 os presos por motivos políticos na Venezuela, incluindo 175 militares, 105 mulheres e um adolescente.
Em uma publicação no X, o presidente da entidade, Alfredo Romero, comemorou o anúncio feito pelo regime chavista. “Verificaremos cada libertação. Já sabemos de algumas pessoas a caminho da liberdade, incluindo estrangeiros”, escreveu.
Ainda de acordo com a Foro Penal, o regime utiliza estratégias sistemáticas de perseguição política, incluindo desaparecimentos forçados e detenções arbitrárias.
Em dezembro, a ditadura da Venezuela prendeu um dos dirigentes do partido Vamos Venezuela, liderado por María Corina Machado. De acordo com a sigla, agentes do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional) “sequestraram” Melquiades Pulido García enquanto ele caminhava em Caracas.
Mais cedo, Jorge Rodríguez anunciou a instalação de uma comissão de diferentes ministérios para atuar, a partir de instituições de direito internacional, para pressionar pela libertação de Maduro e da primeira-dama.
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