O Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+ denunciou o Internacional e o técnico Abel Braga à Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por uma fala homofóbica do treinador na apresentação pelo Colorado.
Em coletiva realizada no último domingo (30), ao comentar sobre como estava o ambiente no vestiário e o uniforme de treino para a equipe, Abel deu a seguinte declaração:
“Eu não quero a porra do meu time treinando de camisa rosa, parece time de viado”.
Depois da repercussão negativa da fala, o técnico pediu desculpas nas redes sociais e disse que “cores não definem gêneros”.
Apesar do pedido de desculpas, a entidade LBGT disse que o técnico não deve ter a conduta amenizada, devido à sua “capacidade de influenciar comportamentos, reforçar estigmas e naturalizar práticas discriminatórias dentro do ambiente esportivo”.
A representação diante do STJD também tem o ex-técnico do Inter, Ramón Diaz como alvo. Na ocasião, depois do empate contra o Bahia, pela 33ª rodada, o treinador disse que o “futebol é para homens, não é para meninas”. Assim como Abel, Ramon se retratou pela declaração.
Segundo o Grupo Arco-Íris, através dos advogados Carlos Nicodemos e Maria Fernanda Cunha, indica que a sucessão de dois episódios discriminatórias feitos por treinadores do Internacional apontam um “padrão preocupante” e configura “clara violação das normas desportivas”, especialmente do artigo 243-G, do CBJD.
O dispositivo visa a suspensão de até dez partidas e multa que pode chegar a R$ 100 mil. O texto também visa punições a equipe caso a infração foi praticada por número considerável de pessoas vinculadas à instituição ou por atos dos torcedores.
A entidade denunciante, comandada por Cláudio Nascimento, se baseia em um precedente do próprio STJD, que puniu o atacante Dudu por misoginia contra Leila Pereira.
A solicitação é baseada para que a Procuradoria do STJD ofereça denúncia contra o Inter e os técnicos Abel Braga e Ramón Díaz pelas declarações. É pedido também a aplicação de medidas de reparação baseadas em ações afirmativas, como a participação em seminários e cursos, planos de prevenção e campanhas públicas de conscientização.
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