A eliminação do Bahia na segunda fase preliminar da Copa Libertadores da América deixou marcas profundas no elenco e na comissão técnica. Após vencer o O’Higgins por 2 a 1 no tempo normal, o Tricolor acabou derrotado por 4 a 3 nas penalidades e deu adeus ao sonho continental, além de ficar sem competições internacionais em 2026.
Na entrevista coletiva, o técnico Rogério Ceni explicou os critérios para a escolha dos cobradores e evitou responsabilizar individualmente os jogadores pelos erros nas penalidades.
“Só perde quem bate. O Dell é batedor de pênalti na seleção brasileira, treinou bem, disse que queria bater. Estava entre ele ou Kiki. O Kiki também é um jovem jogador. Também não tem tantos pênaltis assim na carreira. E o aproveitamento dele foi melhor no treinamento. E por isso nós escolhemos ele para bater e ele disse que queria bater. Então, eu acho que a oportunidade é dada, é um garoto, já bateu em outras situações importantes até com a seleção brasileira. O Everton também perdeu. Pênalti só perde quem assume a responsabilidade”.
Ceni também comentou o erro na saída de bola que originou o gol do O’Higgins, marcado após falha de Ademir. O treinador reconheceu que o lance mudou o panorama emocional da equipe.
“Acho que tivemos volume de jogo para tentar decidir o jogo no primeiro tempo, já nós tivemos volume de jogo. É uma dificuldade que a gente tem, a gente cria bastante e pede muito gol, conclui que faz poucos gols perto do volume de jogadas que cria. Hoje mais uma vez se repetiu e pagamos caro nesse erro na saída de bola do segundo tempo, na recuperação de bola.”
Segundo ele, o time apresentou indícios de que conseguiria a classificação ainda na etapa inicial, quando abriu 2 a 0 e dominava as ações. O gol sofrido, porém, abalou o grupo. “Depois do 2 a 1 começamos a ficar nervosos, querer atacar de qualquer maneira. Todo mundo quer resolver sozinho e você se desarruma fácil. Ainda havia muito tempo para organizar, mas o aspecto mental pesa”.
Ceni também afirma que não tem onde procurar explicações após a eliminação, mas que o time teve oportunidades e, mais uma vez, perdeu muitos gols e a equipe pagou caro por essa falta de efetividade.
“Nós sabíamos que precisávamos marcar o terceiro gol, sabíamos que tínhamos que cuidar pelos tumultos, cartões amarelos – Juba, que tinha tomado o cartão amarelo já no fim do primeiro tempo – , eles iam tentar tumultuar, nós tínhamos que nos manter logicamente com os 11 dentro de campo. Gente, acontece. A bola estava no nosso controle, nosso domínio, perdemos a bola e infelizmente culminou num gol. Não adianta procurar explicações. Acho que tivemos volume de jogo para tentar decidir no primeiro tempo. É uma dificuldade que a gente tem. A gente cria bastante e perde muito gol. Concluí que fazemos poucos gols perto do volume de jogadas que criamos. Hoje, mais uma vez se repetiu, e pagamos caro nesse erro, na saída de bola do segundo tempo, na recuperação de bola”.
Sem vaga na Libertadores e também fora da possibilidade de disputar a Copa Sul-Americana, o Bahia terá um calendário restrito às competições nacionais em 2026. Ceni classificou o impacto como severo.
“Gigantesco prejuízo, você não tem o calendário internacional, independente de ser a Copa Libertadores, que era o objetivo, ou nem mesmo a própria Copa Sul-Americana. Isso é um prejuízo que vai demorar para reverter essa situação. Nós entendemos que a vida da gente é essa. Tem que mobilizar, motivar para o próximo jogo. Nós temos uma semifinal no sábado, esperamos estar na final do campeonato estadual, retomar o Campeonato Brasileiro, construir tudo de novo. Para construir é muito demorado, né? Você passa um ano inteiro para construir uma oportunidade como essa. Em 90 minutos, muitas vezes, ou em num lance bobo, você acaba jogando tudo fora. Mas é algo psicologicamente muito difícil de reverter de forma imediata. É um peso gigantesco que a gente carrega para sequência do ano do Campeonato Baiano, do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil”.
O treinador destacou que desde quando assumiu o tricolor em 2023, esse é o momento mais difícil psicologicamente para a equipe e que o grupo precisará de força mental para reagir.
“Sem dúvida nenhuma, é o momento psicologicamente mais desfavorável que enfrentamos aqui desde a chegada. Talvez até 23, com todo aquele sofrimento e chegar na última rodada numa situação terrível podendo ir para uma série B, mas fora isso, eu acho que é um momento psicologicamente mais difícil para a gente”.
Ceni também analisou a evolução tática da equipe em relação ao ano passado. Segundo ele, o Bahia atual é menos vistoso, porém mais aguerrido, especialmente fora de casa. A estratégia contra o O’Higgins envolveu abrir o meio-campo para escapar da marcação individual chilena, movimentando Juba pelos lados e utilizando Pulga como segundo atacante.
Sobre a pressão da torcida, que tende a aumentar após a eliminação, Ceni foi direto:
“Tem que viver dia após dia, tem que conseguir resultados. É ter força mental para focar nos jogos que vêm, seja de qual campeonato for, né? Temos que estar bem focados. É o que eu falo: é um momento difícil, porque um trabalho todo, em 90 minutos, muda o planejamento que você tinha para o ano. Ano passado, como vocês falaram, nós conseguimos passar por essa situação. Esse ano vinhamos bem todo o ano, né? Perdemos esse único jogo. São 13 jogos na temporada, vencendo nove e três deles de campeonato brasileiro. Já jogamos três rodadas de Campeonato Brasileiro, e essa derrota nos colocou numa situação mais difícil. Hoje começamos o jogo, e não tem um melhor começo do que você fazer um gol com menos de um minuto, né? Ou seja, o estádio veio com o time, fizemos o segundo, e numa desatenção perdemos a posse. Aí mudou o panorama do jogo. Depois desse gol sofrido, as coisas se desequilibraram um pouco e culminou, infelizmente, começamos até na frente nos pênaltis, com a defesa do Ronaldo, mas infelizmente não conseguimos levar o Bahia à próxima fase”.
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