ISABELLA MENON – O prefeito de Minneapolis, o democrata Jacob Frey, afirmou que, após uma conversa com o presidente dos EUA, Donald Trump, foi acertado que “alguns agentes vão começar a deixar a área amanhã”. A informação foi publicada nas redes sociais do prefeito, na noite desta segunda-feira (26).
A conversa entre o prefeito e o presidente acontece após a segunda morte registrada na cidade por um agente federal. No sábado (24), Alex Pretti, 37, foi morto a tiros enquanto filmava uma operação. Poucos minutos após a morte, o governo Trump afirmou que Pretti havia ameaçado os policiais, porém vídeos da cena não comprovam a versão.
Frey, que já vinha pedindo a saída do ICE, polícia da imigração dos Estados Unidos, desde a morte de Renee Good no início de janeiro, reforçou o discurso desde sábado. Além das solicitações das autoridades locais, a região têm registrado um aumento dos protestos contra a presença dos agentes.
Pelas redes, o prefeito afirmou que vai continuar tentando garantir a saída de todos os responsáveis pela operação. “Minneapolis vai continuar a cooperar com o estado e forças de justiça federais em investigações criminais reais, mas nós não vamos participar de prisões inconstitucionais dos nossos vizinhos ou executar a lei de imigração federal”, disse o democrata. Ainda em comunicado, ele disse que vai continuar trabalhando em todos os níveis para manter a segurança da comunidade, as taxas de crimes baixas e colocar os residentes de Minneapolis em primeiro lugar. “Eu vou me encontrar com o Tomar Homan [encarregado das fronteiras, que deve assumir o controle do ICE na cidade]”, afirmou o prefeito
.
A decisão de Trump acontece após o governo ter recebido uma série de críticas pela ação até de dentro do partido. O senador Bill Cassidy, republicano da Louisiana, definiu a morte de Alex Pretti como “extremamente perturbador”. “A credibilidade do ICE e DHS [Departamento de Segurança Interna] estão em risco. Deve haver uma investigação conjunta completa, conduzida por autoridades federais e estaduais, na qual possamos confiar para apresentar a verdade ao povo americano.”
Já Chris Madel, republicano que ia concorrer ao governo de Minnesota, retirou sua candidatura e criticou o ICE. “Não posso apoiar a retribuição prometida pelos republicanos nacionais contra os cidadãos do nosso estado, nem posso me considerar membro de um partido que faria isso.”
Pelas redes, Trump também confirmou a conversa com o prefeito, mas não detalhou o que foi discutido e apenas disse que “muito progresso foi realizado” e que o encontro com Frey com Homan deve acontecer nesta terça-feira (27). Mais cedo, o presidente, em uma publicação na sua rede social, a Truth Social, disse que teve uma “conversa muito boa” com o governador de Minnesota, Tim Walz, e que os dois estavam “na mesma frequência”.
A conversa entre Trump e Walz, que foi confirmada pelo presidente, teve seu teor discutido horas mais tarde pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. Em entrevista a jornalistas, ela afirmou que Trump havia dito em telefonema com o governador de Minnesota que o governo federal só diminuiria a presença de agentes de imigração no estado se as autoridades locais cooperarem com as deportações em massa de imigrantes.
“Hoje, o presidente delineou um plano simples e concreto para restabelecer a lei e a ordem em Minnesota”, disse Leavitt. “Primeiro, o governador Walz, o prefeito [Jacob] Frey e todos os líderes democratas devem entregar ao governo federal todos os estrangeiros ilegais criminosos que estão presos, assim como os estrangeiros com mandados em aberto e antecedentes criminais.”
Se isso se concretizar, será o fim do status de santuário para cidades no estado, caso de Minneapolis. Nos EUA, cidades santuário são locais governados por democratas que não cooperam com operações de imigração sob o argumento de que elas atrapalham o trabalho da polícia local e minam a confiança entre imigrantes e autoridades.
A prática é bastante diferente daquela em estados governados por republicanos, nos quais o ICE tem livre acesso a cadeias e bancos de dados para procurar estrangeiros presos ou com antecedentes criminais a fim de deportá-los. A busca considera até mesmo infrações não violentas, como multas de trânsito, para encontrar estrangeiros passíveis de expulsão.
“Segundo, no futuro, a polícia local deve concordar em entregar [para forças federais] todos os estrangeiros ilegais que sejam presos”, continuou Leavitt. “E terceiro, a polícia local deve auxiliar os agentes federais na prisão de estrangeiros ilegais criminosos”, afirmou a porta-voz, dizendo que, se essas três condições forem cumpridas, a presença de agentes do CBP, a agência de proteção de fronteiras, “não será mais necessária” -insinuando que o ICE, mesmo nesse cenário, permaneceria no estado.
As operações em Minnesota do ICE e do CBP causam revolta em habitantes e caos nas ruas de Minneapolis há semanas. Dois cidadãos americanos foram mortos por agentes federais em menos de um mês: Renee Nicole Good, no dia 7, e o enfermeiro Alex Pretti, no último sábado (24). Nos dois casos, o governo Trump culpou as vítimas por suas próprias mortes, dizendo que Renee tentou atropelar um agente e que Pretti, que estava armado mas não sacou sua pistola, era um “terrorista doméstico”.
Nesta segunda, Leavitt não repetiu os ataques e evitou chamar Pretti de terrorista, mas disse repetidas vezes que a mídia e a esquerda democrata demonstram hipocrisia ao supostamente lamentar essas mortes e não outras. “Ninguém na Casa Branca gosta de ver pessoas machucadas ou mortas, e isso inclui Renee Good, Alex Pretti, agentes federais e as dezenas de vítimas de imigrantes ilegais criminosos.”
“E precisamos ser claros a respeito das circunstâncias [da morte de Pretti]. Essa tragédia aconteceu graças à resistência hostil e deliberada de líderes democratas em Minnesota”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, dizendo que a retórica da oposição coloca agentes do ICE em perigo.
“Comparar [o serviço de imigração] com a Gestapo nazista, chamá-lo de ‘a polícia de Donald Trump’, é desprezível, é vergonhoso e é o que levou à escalada de tensões em Minneapolis e em tantos outros lugares no país”, disse Leavitt, que pediu que o Congresso americano aprove uma lei proibindo a não-cooperação de governos locais com as autoridades imigratórias.
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