
Salto do Rio Piracicaba na altura do Parque do Mirante, em Piracicaba (SP)
Edijan Del Santo/EPTV
Quem caminha às margens do rio Piracicaba, em Piracicaba (SP), talvez não imagine que as pedras escuras que sustentam o leito do rio e dão forma ao famoso ‘salto’ presenciaram o nascimento do Oceano Atlântico.
Trata-se de rochas magmáticas, que se formaram durante um grande derramamento de lava que ocorreu no processo de separação entre o Brasil e a África há aproximadamente 135 milhões de anos. A separação dos territórios deu início ao Oceano Atlântico.
“Quando começou a se separar [Brasil e África], começou a ocorrer várias falhas geológicas bem profundas. E essas falhas favoreceram que o magma que ocorre em profundidade, que extravasasse e cortasse todas essas camadas de rochas que vemos aqui na região. Consequentemente, esse ponto do rio é onde houve esse extravasamento de magma”, explica o professor doutor Alessandro Batezelli, do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp.
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Rochas do salto do Rio Piracicaba, em Piracicaba (SP), visíveis durante período de estiagem
Edijan Del Santo/EPTV
O derramamento de lava não é específico de Piracicaba. Ele ocorreu por toda a Bacia do Paraná, área geológica que compreende regiões no Sudeste, Centro-Oeste e Sul brasileiros, além de áreas no Paraguai, Argentina e Uruguai. Nessa área, o território é composto por rochas sedimentares e extravasamentos de rochas magmáticas (também conhecidas como rochas ígneas ou vulcânicas).
Perto das rochas magmáticas que compõem o leito e o salto do Rio Piracicaba, há a Pedreira do Bongue, exemplo de rocha sedimentar composta por dois tipos de materiais: argilito (argila vermelha/roxa) e arenito (areia).
Pedreira do Bongue é sítio paleontológico com fósseis de quando Piracicaba era mar, diz pesquisador
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Pontos de interesse
As rochas do Rio Piracicaba e a Pedreira do Bongue são algumas das geodiversidades que o projeto do Geoparque Corumbataí pretende preservar e difundir, assegurou Alexandre Perinotto, professor do curso de Geologia da Unesp de Rio Claro e coordenador científico da organização.
O projeto Geoparque Corumbataí reúne pontos de interesse em áreas com patrimônio geológico, científico e cultural em nove cidades da região de Piracicaba e pode se tornar o primeiro geoparque do estado reconhecido pela Unesco.
“Quando você coloca a mão numa rocha dessas [do rio Piracicaba], você está pondo a mão na abertura do Oceano Atlântico bebezinho ainda”, informa Perinotto.
Parte da Pedreira do Bongue, em Piracicaba (SP), em novembro de 2025
Yasmin Moscoski/g1
“A ideia do geoparque é classificar tudo isso. É mostrar isso para a população, é fazer com que ela entenda que ela tem heranças muito bonitas no próprio território. É colocar placas, tótens autoexplicativos… e isso fomenta o turismo. As pessoas passam a conhecer que aquilo ali faz parte do território e um turismo integrado”, complementa.
As cidades com pontos de interesse são: Analândia (SP), Charqueada (SP), Cordeirópolis (SP), Corumbataí (SP), Ipeúna (SP), Itirapina (SP), Piracicaba (SP), Rio Claro (SP) e Santa Gertrudes (SP).
Fase do projeto Geoparque Corumabataí
Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDHU), o projeto Plano Regional Integrado de Turismo da Serra do Itaqueri e do Geoparque Corumbataí está estruturado em duas fases.
Na primeira, estão sendo desenvolvidos os produtos técnicos exigidos pela Unesco. Entre eles, estão o Plano de Gestão, o Plano de Geoturismo, o Plano de Patrimônio Geológico e Geoconservação, todos elaborados conforme os critérios e diretrizes internacionais, afirmou a pasta.
Já a segunda fase contemplará, entre outras ações, o Plano de Comunicação e Identidade Visual de todo o território do geoparque e projetos, além da consolidação do Plano Regional Integrado de Turismo. A pasta não passou datas de início para a segunda fase.
O que falta para o projeto de 1º geoparque do estado de São Paulo ser apresentado à Unesco?
Rochas, morros e paisagens também são considerados patrimônios
Divulgação/Projeto Geoparque Corumbataí
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