Apartamento à beira-mar, viagens internacionais e passeios de lancha: empresas de consórcio rural suspeitas de golpe de R$ 30 milhões são alvo da polícia no RS
Jean Pimentel/Agência RBS
A Polícia Civil prendeu no Rio Grande do Sul, durante operação na manhã desta quinta-feira (4), pessoas investigadas por fazer parte de um esquema de consórcios para produtores rurais que teria lesado mais de 200 pessoas no Brasil em cerca de R$ 30 milhões ao longo de 10 anos, valor que era usado para custear as vidas de luxo dos golpistas (saiba mais abaixo).
A ação ocorre em Passo Fundo, na Região Norte do RS. Entre os presos, estão pessoas ligadas a seis empresas de consórcio da cidade e três policiais militares (PMs) responsáveis pela segurança delas. Os nomes dos suspeitos e das empresas não foram divulgados.
No total, são cumpridos 16 mandados de prisão, sendo que 13 são de prisão preventiva. Além disso, entre imóveis e criptomoedas, os valores bloqueados chegam R$ 170 milhões. Quarenta veículos de luxo foram apreendidos, entre eles sete Porsches, somando R$ 15 milhões.
Conforme a Polícia Civil, o golpe é praticado desde 2016. Só em 2025, o grupo teria movimentado cerca de R$ 3 bilhões em vendas de consórcios.
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Como o esquema funcionava
A Polícia Civil explica que os suspeitos de estelionato procuravam comerciantes e agricultores para oferecer cartas de crédito supostamente contempladas. Para ter acesso a elas, as vítimas do esquema depositavam cerca de 10% do valor acordado e, depois, descobriam que a carta não havia sido contemplada – e perdiam tudo que pagavam.
🔎 Carta de crédito é um documento financeiro que representa um valor para a compra de um bem ou serviço. Ela é obtida quando uma pessoa é contemplada em um consórcio. É como um pagamento à vista para o vendedor, permitindo ao consorciado ter poder de negociação para conseguir descontos. Diferentemente do dinheiro em espécie, ela deve ser usada para a compra específica acordada no contrato e não tem juros – é cobrada taxa de administração.
Houve casos em que os golpistas ligavam para as vítimas, depois de elas fazerem os pagamentos, dizendo que o administrador da empresa responsável pela carta entraria em contato por telefone e que, para ter acesso ao crédito, teriam que dizer saber que a carta não é contemplada – a fala da vítima confirmando saber disso é gravada, o que acabava virando uma prova em favor dos golpistas. No entanto, elas eram induzidas e enganadas.
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Dinheiro usado para financiar vida de luxo
A investigação da polícia indica que, com o dinheiro das vítimas, os criminosos compraram imóveis de luxo no RS e em Santa Catarina. Só dois apartamentos em cidades catarinenses, um em Porto Belo, e outro em Balneário Camboriú, valem R$ 20 milhões.
Vídeos gravados pelos próprios suspeitos mostram um apartamento de luxo à beira-mar em Balneário Camboriú que havia sido adquirido. Há registros, ainda, de passeios de lancha e viagens internacionais.
Vítimas do esquema
Há casos de pessoas que perderam até R$ 2 milhões no golpe. Em um deles, uma produtora rural que sofreu prejuízos durante as enchentes que atingiram o RS esperava obter duas cartas de crédito para recuperar o negócio e nunca obteve as cartas de crédito.
Os criminosos ainda voltaram a falar com ela alegando que, com o pagamento de novos valores, um “lance”, ela finalmente seria contemplada no consórcio – ela pagou e não recebeu. Outras pessoas também teriam caído no golpe.
PMs investigados
Três PMs, que faziam a escolta da organização criminosa, são investigados. Imagens de câmeras de segurança mostram dois deles, pai e filho, saindo do condomínio de luxo onde moram e entrando em uma viatura identificada. A Polícia Civil também obteve imagens do trio fazendo a escola dos chefes da organização criminosa.
Apartamento à beira-mar, viagens internacionais e passeios de lancha: empresas de consórcio rural suspeitas de golpe de R$ 30 milhões são alvo da polícia no RS
RBS TV/Reprodução
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