O rei Charles III deu início na terça-feira 27 a um giro pelas ex-colônias britânicas no Caribe, onde reconheceu “o grande sofrimento” causado pela escravidão no período do império, em meio a pedidos crescentes por reparação pelos danos do passado.
O Palácio de Buckingham informou que o monarca não evitaria discutir o “legado colonial” e as consequências do tráfico de escravizados. Porém, como o governo britânico, ele não faria um pedido oficial de desculpas ou anunciaria medidas de reparação.
A viagem terá duração de nove dias e terminará com a Reunião de Chefes de Governo da Commonwealth (CHOGM), associação voluntária formada, principalmente, por ex-colônias do antigo Império Britânico. O rei confirmou que o legado da escravidão na região estará entre os assuntos discutidos pelos líderes durante o encontro.
Na terça-feira, o rei foi recebido pela governadora-geral das Bahamas, Cynthia Pratt, e pelo primeiro-ministro Philip Edward Davis. Depois, participou de uma cerimônia militar, na qual inspecionou uma guarda de honra e conversou com integrantes da Força de Defesa Real das Bahamas.
Charles III também fez um chamado sobre os impactos das mudanças climáticas em Nassau, capital das Bahamas. O monarca relembrou sua atuação em defesa do meio ambiente e destacou as dificuldades enfrentadas pelas ilhas caribenhas, lamentando que o “nosso mundo clama por cura”. O rei incentivou os jovens a “assumirem a tarefa sagrada de desempenharem seu papel”, destacando o protagonismo das novas gerações na pauta climática.
Jovens pedem justiça histórica
Um grupo pequeno de manifestantes se reuniu nas proximidades do evento, cobrando o monarca que usasse sua influência para mudar a posição do governo britânico sobre as reparações e o reconhecimento de sua responsabilidade histórica por problemas socioeconômicos estruturais nas ex-colônias.
Durante o protesto, os participantes entoavam gritos de ordem como “paguem o que nos devem” e “devolvam os artefatos que vocês roubaram”.
Uma das manifestantes, Sharon Purcer-Cooper, afirmou à emissora britânica BBC que o rei poderia contribuir para uma mudança de postura do Reino Unido.
“Ele é um homem influente. A Coroa ainda tem influência. Nos tornaremos uma república e daremos as costas à Inglaterra se vocês não demonstrarem respeito às antigas colônias”, disse ela.
Próximas paradas da viagem
Na quarta-feira, Charles III deu continuidade à sua agenda nas Bahamas, com encontros para ouvir relatos sobre os riscos que as mudanças climáticas representam para as ilhas mais baixas do Caribe.
Ainda nesta semana, ele seguirá para a Guiana, onde sua agenda será voltada principalmente à preservação ambiental e à biodiversidade.
Na última etapa da viagem, o rei irá a Antígua e Barbuda, onde se encontrará com a rainha Camilla para participar da Reunião de Chefes de Governo da Commonwealth. Como líder da organização, ele também fará o discurso principal do encontro.
Realizada a cada dois anos, a reunião contará com representantes de 56 países integrantes da Commonwealth. O objetivo é discutir problemas compartilhados entre essas nações e fortalecer a cooperação em diferentes áreas.
Em declaração à BBC, um porta-voz do palácio explicou que a agenda do rei “terá como foco principal destacar as muitas parcerias modernas e oportunidades para o futuro”, especialmente iniciativas que “estão tendo um efeito transformador na região”.
Fonte: Abril










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