O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusou nesta terça-feira, 27, a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de prolongar a guerra na Ucrânia e afirmou que um acordo de paz duradouro depende do atendimento às exigências de Moscou. A declaração foi feita durante uma conversa telefônica com os líderes da Finlândia e da Noruega, em meio a novas tentativas de negociação para encerrar o conflito, iniciado com a invasão russa em fevereiro de 2022.
Segundo o Kremlin, Putin criticou a política de confronto dos países europeus e da aliança militar ocidental e voltou a citar o que considera as causas fundamentais da guerra — segundo ele, a Otan representaria uma ameaça existencial à Rússia e o pleito ucraniano para aderir ao grupo seria inaceitável. O presidente russo defendeu que os interesses políticos de seu país sejam plenamente considerados para alcançar uma paz duradoura.
A ligação ocorreu a pedido do presidente finlandês, Alexander Stubb, e do primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store. Os dois líderes reafirmaram o apoio à Ucrânia e abordaram os esforços diplomáticos para encerrar as hostilidades, incluindo as conversas recentes entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e representantes dos Estados Unidos. Ao fim do telefonema, os três concordaram em manter contato direto.
Negociações avançam, ataques continuam
Após meses de impasses, Ucrânia, Estados Unidos e Rússia planejam retomar negociações trilaterais por meio de uma reunião de delegações diplomáticas em meados de novembro, possivelmente em Abu Dhabi. A movimentação diplomática, porém, ainda não se traduziu em um cessar-fogo abrangente. Nesta terça-feira, ataques russos atingiram Kiev e outras cidades ucranianas, deixando mortos e feridos e provocando danos à infraestrutura. Na capital, estruturas do metrô e a Ponte Sul foram atingidas, segundo autoridades locais.
Uma trégua localizada entrou em vigor em Oleshky, cidade do sul da Ucrânia ocupada pela Rússia desde 2022. O acordo, intermediado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, busca permitir a distribuição de ajuda humanitária e a retirada de moradores por um corredor seguro. A cidade enfrenta escassez de alimentos, água potável e medicamentos.
A situação humanitária se soma à pressão sobre a infraestrutura civil ucraniana. Em relatório divulgado na segunda-feira, 26, uma comissão independente de investigação das Nações Unidas acusou a Rússia de cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade ao atacar deliberadamente instalações de energia e aquecimento. O documento também denunciou o recrutamento de estrangeiros para o Exército russo por meio de fraude, coerção e tráfico humano.
Moscou, por sua vez, sustenta que seus ataques visam apenas estruturas utilizadas para fins militares. As acusações da comissão deverão ser submetidas à Assembleia Geral das Nações Unidas.
Impasse afasta paz
As perspectivas de um acordo permanecem incertas diante das divergências sobre concessões territoriais e garantias de segurança. O governo russo insiste que seus interesses sejam contemplados em qualquer entendimento, enquanto Kiev rejeita as exigências que comprometam a soberania ucraniana e reivindica proteções internacionais contra novas ofensivas.
A participação dos países europeus nas negociações também é motivo de divergência. Putin atribui à União Europeia e à Otan parte da responsabilidade pela continuidade da guerra, enquanto os governos ocidentais mantêm o apoio à Ucrânia diante da invasão russa.
Fonte: Abril










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