O mercado de apartamentos de alto padrão em São Paulo cresce a um ritmo duas vezes superior ao do conjunto das transações residenciais analisadas. Entre janeiro e agosto deste ano, o número de guias do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) pagas para apartamentos com base de cálculo superior a 2 milhões de reais aumentou 19,6% na capital paulista. Foram 3.399 registros, ante 2.842 no mesmo período de 2025, segundo levantamento feito com dados abertos da prefeitura.
O desempenho contrasta com a evolução geral do mercado de apartamentos. No mesmo intervalo, o total de registros considerados na pesquisa avançou 9,7%, passando de 61.287 para 67.207. Com isso, a participação dos imóveis acima de 2 milhões de reais no universo analisado aumentou de 4,6% para 5,1%.
O crescimento foi mais acentuado entre as unidades adquiridas na planta. Nessa categoria, os registros passaram de 487 para 612, alta de 25,7%. Entre os apartamentos prontos, o avanço foi de 18,3%, de 2.355 para 2.787. O levantamento considera tanto imóveis novos quanto usados, além das operações envolvendo unidades em construção identificadas na base municipal.
Nas faixas de preço mais elevadas, os resultados mostram comportamentos diferentes. Enquanto as transações de apartamentos com base de cálculo superior a 3 milhões de reais cresceram 12%, aquelas acima de 5 milhões de reais avançaram 24%. Parte desse movimento pode ser explicada pela valorização imobiliária: a mediana do valor por metro quadrado dos apartamentos prontos subiu 3,9%, fazendo com que mais unidades ultrapassassem os limites de preço considerados na pesquisa.
Para Fernando Motta, diretor regional da incorporadora Plaenge em São Paulo, é importante distinguir os indicadores usados para avaliar o setor. “A base do ITBI reúne transações imobiliárias nas quais houve o recolhimento do imposto, enquanto os indicadores de lançamentos acompanham as vendas de imóveis novos. São recortes distintos e, quando observados em conjunto, ajudam a compreender com mais precisão o comportamento do mercado residencial”, afirma.
Os dados consideram o mês de pagamento do ITBI, e não necessariamente a data em que a negociação foi concluída. A base de cálculo do imposto também pode refletir o valor venal de referência do imóvel, quando superior ao valor declarado da transação. Ainda assim, a evolução dos registros indica que as operações nas faixas mais altas de valor ganharam participação no mercado imobiliário paulistano ao longo dos oito primeiros meses de 2026.
Fonte: Abril











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