O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, assinaram nesta terça-feira (6) uma declaração de intenções para o envio de uma força multinacional à Ucrânia após a implementação de um cessar-fogo duradouro com a Rússia.
Macron afirmou que os países envolvidos estão prontos para mobilizar a força um dia depois de o cessar-fogo ser efetivamente alcançado. As discussões iniciais indicam que o contingente poderá variar entre 15 mil e 30 mil militares.
A iniciativa é vista como estratégica para reforçar a confiança de Kiev no apoio europeu e abrir caminho para avanços nas negociações de paz com Moscou.
O acordo foi firmado durante uma cúpula da chamada Coalizão dos Dispostos, realizada em Paris, que reuniu representantes de 35 países, com apoio dos Estados Unidos.
Segundo Macron, a futura força deverá oferecer uma garantia após o cessar-fogo e integra um conjunto de compromissos voltados a assegurar uma paz sólida e duradoura em território ucraniano.
Após o encontro, Zelensky afirmou que, pela primeira vez, os aliados avançaram além de declarações genéricas. “É importante que a coligação tenha hoje documentos substanciais, e não apenas palavras”, disse, destacando que o conteúdo acordado demonstra determinação em trabalhar por uma segurança real.
Garantias de segurança
De acordo com autoridades envolvidas nas negociações, as garantias de segurança para o período pós-guerra estão praticamente concluídas.
O enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Steve Witkoff, afirmou que os ucranianos passam a ter maior previsibilidade sobre o futuro do país com o fim do conflito.
“Isso não significa que a paz esteja garantida, mas ela não seria possível sem o progresso alcançado hoje”, afirmou Jared Kushner, genro de Trump e integrante da equipe norte-americana de mediação.
Também foi definida a criação de uma célula de coordenação entre Estados Unidos, Ucrânia e a Coalizão, que funcionará no quartel-general operacional do grupo, em Paris.
Impasses com Moscou
Apesar do avanço diplomático entre Ucrânia, Europa e Estados Unidos, ainda não há certeza sobre a aceitação dos termos por parte da Rússia.
Moscou se opõe à presença de tropas ocidentais em território ucraniano e mantém como exigências a desistência de Kiev de ingressar na Otan e a renúncia à região de Donbass, que inclui áreas atualmente sob controle ucraniano.
Witkoff afirmou que as conversas recentes resultaram em progressos significativos em diversas frentes e confirmou que novas rodadas de negociação estão previstas.
As tratativas ocorrem semanas após Zelensky se reunir com Donald Trump em Mar-a-Lago, na Flórida. Na ocasião, o republicano declarou que as negociações de paz estavam em estágios finais, sem detalhar prazos ou condições.










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